<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656</id><updated>2011-07-07T22:31:28.731-07:00</updated><category term='Jornalismo firula'/><category term='Lições de vida'/><category term='Decepções cotidianas'/><category term='Benditos anúncios'/><category term='Estudos de campo'/><category term='documentos históricos'/><category term='Cenas teatrais'/><category term='Vocativos folclóricos'/><category term='Cretinice de almoço'/><category term='(curtos) Contos fantástcos'/><category term='Filosofia do dia-a-dia'/><category term='Anotações Surreais da Realidade'/><category term='Horror existencial'/><category term='Interlúdios do Eu'/><category term='Retratos perdidos'/><category term='Heróis copy/paste'/><category term='Casos de vitória'/><category term='Horas de agonia'/><title type='text'>O Santo Líquido</title><subtitle type='html'>Um espaço fértil.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-3419146395359941350</id><published>2009-11-03T12:12:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T12:15:33.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horror existencial'/><title type='text'>Extremo neurótico</title><content type='html'>[...]Outro dia mesmo lá estava eu no cartório ouvindo a conversa alheia, coisa que gosto muito de fazer. Tenho dó na maioria das vezes; tanta burrice, tanta falta de noção das coisas – uma perda de tempo, pensaria você, leitor, mas isso não verdade, ouvir os outros é uma arte. O bom ouvidor é discreto como uma parede e interpreta tudo como um estrategista de guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que sabe escutar e interpretar o papo dos outros, consegue ouvir qualquer coisa sem perder a postura. Por exemplo, foi depois de presenciar uma série de términos de relacionamento que eu pude terminar o meu numa boa e, acreditem, não tremi nem amoleci ao ouvir todos os tipos de blasfêmias e xingamentos. Ninguém merece passar por isso, muitos perdem o controle nessas horas, eu não. Fui íntegro, parecia que estava com a cabeça na Lua enquanto a louça lá de casa ia se espatifando no chão. Só acordei com os gritos da vizinha, que ameaçava chamar a polícia caso a louca da minha ex-mulher não parasse de espernear contra o fantasma do seu marido – ninguém acreditou que eu estava ali, eu não elevei o tom em nenhum momento, eu nem mesmo elevei minha carcaça do sofá. Pobre da minha ex-mulher, que teve que quebrar 70% dos vidros e porcelanas da casa para se acalmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado esse episódio, nunca mais me abalei por nada. Deixei de ter dó, de sentir raiva, nem alegria eu conseguia exalar. Talvez você considere essa indiferença uma característica essencial para o homem moderno, imerso num mundo sem compaixão, do qual ele deve ser frio para crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o meu caso: sou frio porque não consigo ser outra coisa. Não tenho mais aquele sal que deixava as pessoas intrigadas com minha personalidade. Minha expressão facial lembra um quadro de natureza morta, bem morta. Meus gestos são invisíveis. As pessoas me chamam pelo nome, demoro para responder e minha voz é sempre a mesma. O que posso fazer? Sou uma pessoa que, de tanto ouvir as outras, acabou perdendo a própria chama de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me deixe muitos dias sem ouvir a trova dos populares. Aí sim enlouqueço! Começo a desenvolver trejeitos próprios, aos poucos perco minha típica inércia e crio emoções. Odeio isso, fico vermelho, pisco o olho esquerdo umas 5 vezes quando vejo alguma coisa que me irrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso das pessoas, da massa que vem e vai sem me deixar sozinho por um segundo. Costumo andar com um gravador e durmo ao som das minhas fitinhas. Algumas não me deixam pregar os olhos de madrugada –o barulho das conversas se sobrepondo fazem a cortina das minhas noites perfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo o som, fecho os olhos. Não preciso de mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-3419146395359941350?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/3419146395359941350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=3419146395359941350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3419146395359941350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3419146395359941350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2009/11/extremo-neurotico.html' title='Extremo neurótico'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4433166076491617419</id><published>2009-05-04T22:20:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T22:37:04.802-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horas de agonia'/><title type='text'></title><content type='html'>Na rua passa um ônibus,&lt;br /&gt;Pessoas e tempo&lt;br /&gt;Não é só um, mas vários&lt;br /&gt;Como demoram tanto&lt;br /&gt;Vem e vão&lt;br /&gt;Um&lt;br /&gt;Esse&lt;br /&gt;Outro&lt;br /&gt;De novo&lt;br /&gt;Mais um&lt;br /&gt;E nada daquele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expectativa num lado&lt;br /&gt;N’outro o frio corrente&lt;br /&gt;Para onde vai essa gente&lt;br /&gt;Triste do ponto lotado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali vem ele!&lt;br /&gt;O livro pregou&lt;br /&gt;Seus olhos&lt;br /&gt;Veio em vão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tempo passa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou mais um agora!&lt;br /&gt;Embarque pronto&lt;br /&gt;Um conhecido me aparece&lt;br /&gt;E o quanto assunto&lt;br /&gt;Quanta demora&lt;br /&gt;A porta fechou, partiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito! Poderia ter vindo antes&lt;br /&gt;Ou nunca ter surgido na vida&lt;br /&gt;Não conseguiu explicar&lt;br /&gt;Agora não camarada&lt;br /&gt;Fica pra depois&lt;br /&gt;Essa conversa fiada&lt;br /&gt;a saudade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E torna a esperar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra casa&lt;br /&gt;Quase todos servem&lt;br /&gt;Mas tem que ser nesse&lt;br /&gt;Voltou depois de tanto tempo&lt;br /&gt;De novo&lt;br /&gt;O fim da agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou batido&lt;br /&gt;e lotado&lt;br /&gt;Ele não agüenta&lt;br /&gt;Se joga no primeiro que surgiu depois&lt;br /&gt;Era Lapa-Conceição e morreu na horinha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4433166076491617419?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4433166076491617419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4433166076491617419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4433166076491617419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4433166076491617419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2009/05/na-rua-passa-um-onibus-pessoas-e-tempo.html' title=''/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-7607016393125212339</id><published>2009-04-22T23:05:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T23:26:42.214-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Retratos perdidos'/><title type='text'>Enquanto isso num pettit comité...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SfAKFwjCg-I/AAAAAAAAAW0/d4Wjvq10I3w/s1600-h/rivane.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SfAKFwjCg-I/AAAAAAAAAW0/d4Wjvq10I3w/s200/rivane.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327769453226787810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te conheço, não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo, eai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tranqüilo, eai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beleza..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com quem você veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com eles, e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô com o pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá certo. E aí, vai pegar um drink?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Tô nisso que eles chamam de fila, sabe como é que é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em algumas horas um drink é necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Tem horas que os drinks se fazem necessários. A pista nem começou a pegar direito ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foda cara. Tu tá em todas hein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Né... vejo você direto também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estranho, nem lembro como te conheci&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Lembro sim. Pode crer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele lance da mina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lembro. Olha cara... Nem sabia que ela era sua, quer dizer, só soube depois. Não lembro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, mas sem essa. Não encanei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora lembrei, foi aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- olha, foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu jurava, não lembrava que era sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já era ex, há um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei. E você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[..]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é cara, foi mal. Imagino que deve ser meio bad esse tipo de coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Sussa. Só que sabe como é que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei, foda. Mas sabe que não foi muito além daquilo não... enfim, não sei o que é ouvir isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não de boa. Eu também não levei assim tão longe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi meninos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Oi... ér... tudo bem?&lt;br /&gt;- Nossa, você... como vai? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô ótima. Acabei de chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eai, como vocês tão? Nunca imaginei encontrar vocês dois juntos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (ha!) Engraçado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sempre os mesmos lugares&lt;br /&gt;- sempre as mesmas pessoas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É neh. Eai, o que vocês estão fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu vim pegar um drink&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem horas que eles são necessários&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- neh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem gente, já volto, vou lah ver todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[..]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- inesperado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- muito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- estranho. Ela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- pra você também? achei que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nada. Tem vezes que... nem sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, então... Esse é o meu namorado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- opa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beleza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa! Quanto tempo que eu não encontro vocês. Vocês estão bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tou ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também, numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que legal. Ah gente, tenho que ir, tão me chamando na pista. Mas logo mais eu volto ai para pegar um drink.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ok&lt;br /&gt;- tá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também vou nessa, prazer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu não tava afim de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nem eu, se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é. Se eles voltarem, melhor ir pra pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- tem horas que um drink...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sempre. Tem horas, mas sempre tem a pista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a pista não para&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- desenho da Rivane Neuenschwander, o que nunca existiu jamais poderá ser explicado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-7607016393125212339?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/7607016393125212339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=7607016393125212339' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7607016393125212339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7607016393125212339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2009/04/enquanto-isso-num-pettit-comite.html' title='Enquanto isso num pettit comité...'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SfAKFwjCg-I/AAAAAAAAAW0/d4Wjvq10I3w/s72-c/rivane.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4166109847745443167</id><published>2009-04-22T12:56:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T13:08:18.376-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Benditos anúncios'/><title type='text'>vídeos publicitários que não querem ser publicitários</title><content type='html'>muito bons !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada de cannes ou outros festivais, essas campanhas são lindas, inteligentes e questionam muito bem o papel da publicidade nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a saída é ir pro cinema? acho que não, mas dá pra ser cinematográfico sin perder la ternura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Stella Artois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=TK11TppfX5U&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Diesel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.isbrave.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria e poderia ter elaborado um post melhor e maior, tenho que pegar ritmo - to voltando, Brasil! (vai rolar update, óbvio)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4166109847745443167?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4166109847745443167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4166109847745443167' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4166109847745443167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4166109847745443167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2009/04/videos-publicitarios-que-nao-querem-ser.html' title='vídeos publicitários que não querem ser publicitários'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-6415360499878750575</id><published>2008-11-14T09:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T10:25:59.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='documentos históricos'/><title type='text'>Time dos sonhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CfxHmRJI/AAAAAAAAARU/DbGUAI5GEmY/s1600-h/tozzi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 154px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CfxHmRJI/AAAAAAAAARU/DbGUAI5GEmY/s200/tozzi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268580990110286994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torcer para um time não é fácil. Você não sabe direito porque exatamente gosta tanto de um único time; como pode ele ser tão precioso quanto um vaso de cristal, tão importante quanto um filho e tão apaixonante como uma canção do Roberto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei responder a essas perguntas. Mas, como todo desbocado, sei fazer polêmica ou aumentar as intrigas que pintam por ai. E falando em pintar, o meu amigo Fë começou uma mania que promete: inventarmos o nosso time dos sonhos composto somente com personagens da mais tenra ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CkZCjKEI/AAAAAAAAARc/6VVdwBRd6Pk/s1600-h/futebol_escalacao_homem_aranha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 151px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CkZCjKEI/AAAAAAAAARc/6VVdwBRd6Pk/s200/futebol_escalacao_homem_aranha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268581069546006594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso vale tudo: livros, filmes, gibis, músicas, fanzines, catálogos do pedágio e outras mil fontes de personagens que tanto agradaram e agradam nossa cabeça desocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já pondo o meu time em prática, mirando o título da primeira divisão alagoana eu vos lanço o já eterno Clube Umbigulus de Futebol Entrópico, cujo apelido carinhoso é Cú de Fé, e a mascote uma Foca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o seu criador, o Cú de Fé prima pelo bom gosto no vestir. Suas cores, rosa flamingo e azul grená dão o tom meninë babagento que ultrapassa os protocolos da virilidade futebolística e chegam para impor um estilo mais galante de pisar em campo e quicar a pelota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, o Umbigulus conta com a moderna estrutura do La Babadeira. Moderna construção inspirada na sede do Boca Juniors, o estádio construído é um remendo de uma cocheira. Sua fundação se dá sobre um cemitério indígena abandonado, daí talvez se explique o fato do Cu de Fé nunca ter perdido uma partida sequer na segunda divisão alagoana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CSDdgmMI/AAAAAAAAARM/GMlAsIKGhkk/s1600-h/cemit%C3%A9rio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CSDdgmMI/AAAAAAAAARM/GMlAsIKGhkk/s200/cemit%C3%A9rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268580754515859650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vamos ao time titular de 89, um plantel formado por craques dignos de placa. Uma tropa que marcou com boladas e jatos de sangue a história do futebol mundial. Inesquecível, meus amigos, essa formação do Clube Umbigulus de Futebol Entrópico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-QwyD5OI/AAAAAAAAAPc/pX7MkC1sP7s/s1600-h/balrog.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 155px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-QwyD5OI/AAAAAAAAAPc/pX7MkC1sP7s/s200/balrog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268576334275405026" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Goleiro: &lt;/span&gt;A começar pelo arqueiro, temos uma imagem do requinte e da crueldade do Umbigulus. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Balrog&lt;/span&gt;, o monstro do boxe, catava todas as bolas com suas mãos. Seus únicos problemas eram não cobrar tiro de meta e nem dar chutão, mas, naquela época, o futebol moleque permitia a bola atrasada da zaga para o goleiro. O que surpreendia era a sua saída de gol nos cruzamentos – sempre em mirabolantes voadoras manuais, não tinha um que ficava de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_Kb3DoYI/AAAAAAAAAP0/rZP1xxVjhs0/s1600-h/michael.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 121px; height: 196px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_Kb3DoYI/AAAAAAAAAP0/rZP1xxVjhs0/s200/michael.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268577325091627394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lateral esquerdo:&lt;/span&gt; Já dizia doutor Sócrates, “Lateral que é lateral tem que saber atacar e defender”. Essa foi a máxima usada pela comissão técnica do Cú de Fé para contratar um menino negro, que depois ficou branco e depois ficou louco. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Michael Jackson &lt;/span&gt;traçava o lado esquerdo do campo e ainda cruzava bolas inacreditáveis com seus chutes afetadamente rápidos. Na hora de voltar, ia de Moonwalk, para marcar cara a cara o jogador adversário. Um verdadeiro ídolo pop das pelotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-gyvNojI/AAAAAAAAAPk/8x-dV6ZHC8Q/s1600-h/Majin+Buu.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 154px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-gyvNojI/AAAAAAAAAPk/8x-dV6ZHC8Q/s200/Majin+Buu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268576609678238258" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zagueiro de formação: &lt;/span&gt;Depois de várias tentativas para achar alguém para a posição, o time encontrou um pequeno garoto mexicano rosado que gostava muito de comer. Apesar da obesidade e da voz fina, pensaram “Por que não?”. E não é que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Majin Boo &lt;/span&gt;deu certo no futebol. O raciocínio foi simples, se ele come tudo, que ele coma os adversários, o juiz, a torcida. Enfim, um verdadeiro fanfarrão da linha de trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-6oIQcOI/AAAAAAAAAPs/sYuqV_d3XSY/s1600-h/capit%C3%A3o+presen%C3%A7a.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 144px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2-6oIQcOI/AAAAAAAAAPs/sYuqV_d3XSY/s200/capit%C3%A3o+presen%C3%A7a.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268577053507088610" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Beque central: &lt;/span&gt;Quem não se lembra de um bom beque? Cada um ao seu tempo, um beque descente é digno de suspiros de saudades. No Umbigulus, o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Capitão Presença &lt;/span&gt;era aquele típico beque idolatrado pela torcida. Seu porte lascivo e seu temperamento manso faziam dele um homem de pouca ação e muitas palavras. A crítica reclamava da sua lentidão e do seu modo prolixo de tirar a bola da fogueira e ainda querer ensinar ao adversário como plantar unzinho no quintal. Onde tinha fumaça, tinha o Presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AD0-A8ZI/AAAAAAAAAQM/w-203Ia2npQ/s1600-h/homem+passaro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 151px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AD0-A8ZI/AAAAAAAAAQM/w-203Ia2npQ/s200/homem+passaro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578311084241298" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lateral direito: &lt;/span&gt;Capitão do time tem que saber falar. Capitão do time tem que saber defender os companheiros. Um dos ídolos da torcida, o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Homem Pássaro&lt;/span&gt;, formou-se em direito. Foi para Harvard, depois Oxford. Cansou da vida corporativa e resolveu se dedicar a sua paixão, o futebol. Sua expertise no tribunal o ajuda na cartolagem dentro das quatro linhas. Seu desempenho é excelente, a não ser em jogos nublados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_07p0UZI/AAAAAAAAAQE/c-Ai6qtA5nY/s1600-h/black+knight.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_07p0UZI/AAAAAAAAAQE/c-Ai6qtA5nY/s200/black+knight.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578055180538258" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quinto zagueiro ou volante de origem: &lt;/span&gt;Se tinha um jogador que ajudou a definir melhor a posição de quinto zagueiro, este foi o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dark Knight&lt;/span&gt;, do filme Monty Phyton e o Cálice Sagrado. Quanta disposição para a briga! Quanta garra! Que raça! Passar por ele era uma tarefa para poucos. Mesmo contundido, o Dark Knight se orgulha de nunca ter sido substituído em nenhuma partida sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_iQj5EwI/AAAAAAAAAP8/UM0fjDEx6_M/s1600-h/Alexkidd.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR2_iQj5EwI/AAAAAAAAAP8/UM0fjDEx6_M/s200/Alexkidd.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268577734375314178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ponta esquerda: &lt;/span&gt;Nunca tinha visto um jogador tão polido desde &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Alex Kid&lt;/span&gt;. Este menino sabia o que queria e era um verdadeiro diplomata dos gramados. Faturava todas as divididas num simples jogo de jô-ken-pô. Nenhum adversário resistia ao charme deste pequeno, cujo mullets tão característicos eram o terror da mulherada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AQckr3HI/AAAAAAAAAQU/vgsqfpgavpk/s1600-h/presto.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AQckr3HI/AAAAAAAAAQU/vgsqfpgavpk/s200/presto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578527873850482" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Meia: &lt;/span&gt;O homem da criação. A bola passa por ele em qualquer jogada. Para essa tão nobre posição, só homem como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Presto &lt;/span&gt;para desempenhar a função do mago da equipe. Conhecido pelas constantes crises de perda de foco, o homem do chapéu verde era responsável pelas jogadas mais dramáticas nos momentos de tensão, como tirar um elefante no meio de um contra-ataque, ou convocar um enxame de abelhas em pleno escanteio ofensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AXun_vyI/AAAAAAAAAQc/tXG0wGX_myE/s1600-h/blonde.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3AXun_vyI/AAAAAAAAAQc/tXG0wGX_myE/s200/blonde.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578652978659106" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ala direita: &lt;/span&gt;Esse é fera. O verdadeiro bad boy do time, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mr. Blonde &lt;/span&gt;nunca deixou os gramados sem um cartão – normalmente vermelho, normalmente após decepar a orelha do adversário, normalmente após um bom tiroteio. Escalado após o brilhante papel em Cães de Aluguel, ele é conhecido por fumar em pleno jogo e apagar o cigarro na testa do árbitro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3ApiTUBhI/AAAAAAAAAQs/3fw8pDq1R5s/s1600-h/marshmallow-man.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3ApiTUBhI/AAAAAAAAAQs/3fw8pDq1R5s/s200/marshmallow-man.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578958908327442" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Centroavante: &lt;/span&gt;Costumam achar que todo centroavante é um cara ligeiro, sagaz. Mas  no Umbigulus, o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Marshmallow Man&lt;/span&gt;, do filme Ghost busters, era o melhor na posição. Demoníaco, com cara de ingênuo, alucinado, lento como um caramujo e letal como uma ogiva atômica era o terror da grande área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3Aiu5r2iI/AAAAAAAAAQk/Tkx-uNpHM5U/s1600-h/homem+mola.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3Aiu5r2iI/AAAAAAAAAQk/Tkx-uNpHM5U/s200/homem+mola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268578842031413794" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Atacante ou cabeça de área: &lt;/span&gt;O homem-gol não poderia ser outro que não agregasse tantas qualidades, que em pleno 1989, seriam verdadeiras tendências para o futuro. Baixinho como o Romário, matador como o Edmundo, gordo como Ronaldo e banheirista como Diego Tardelli. O &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Homem Mola &lt;/span&gt;era um atacante a frente do seu tempo. Bola na área? É com ele. Marcação da zaga rival? Ele estica a perna e pega. Esse não perdia uma e ainda fazia coreografias à la Beach Boys a cada tento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3Aw79a7RI/AAAAAAAAAQ0/1AIPPzdyuls/s1600-h/zordon.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3Aw79a7RI/AAAAAAAAAQ0/1AIPPzdyuls/s200/zordon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268579086054911250" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Técnico ou professor ou mestre: &lt;/span&gt;A inteligência do time ficava a cargo de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zordon&lt;/span&gt;, o homem espelho. Com sua voz de veludo ele orientava essa salada de criaturas e liderou o time pelas mais duras pelejas. Históricas vitórias, partidas delirantes que paravam todo o Alagoas e Zordon ficava ali, tranqüilo, numa boa. Quando a energia acabava, o mestre perdia o sinal e as orientações ficavam a cargo de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gorpo&lt;/span&gt;, seu primeiro imediato. &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3BGjbMOiI/AAAAAAAAAQ8/APhETcoVENQ/s1600-h/gorpo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 120px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3BGjbMOiI/AAAAAAAAAQ8/APhETcoVENQ/s200/gorpo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268579457426012706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um time desses só poderia entrar para os anais do futebol clássico, bem jogado. De forma que não vemos mais isso hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessas que eu deixo você leitor. Afinal, como diria o patriarca do time, Aloísio, “Se subrar uma bulinha, tem que meter pra gol.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3BMBoZ2uI/AAAAAAAAARE/_SndIqCu7aI/s1600-h/aloisio.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 163px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3BMBoZ2uI/AAAAAAAAARE/_SndIqCu7aI/s200/aloisio.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268579551433841378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostou? Continue esse MeMe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço d’O Santo Líquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - imagem da capa de Claudio Tozzi, pop à brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-6415360499878750575?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/6415360499878750575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=6415360499878750575' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6415360499878750575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6415360499878750575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/11/time-dos-sonhos.html' title='Time dos sonhos'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SR3CfxHmRJI/AAAAAAAAARU/DbGUAI5GEmY/s72-c/tozzi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-3889753263330276416</id><published>2008-11-03T19:18:00.000-08:00</published><updated>2008-11-03T19:19:07.689-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horror existencial'/><title type='text'>Daqui não passa</title><content type='html'>Estava ali um menino, na sala, sozinho. Ele tinha a missão mais chula da piada barata: apagar a luz. E lá estava ele por ser o último a sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse menino olhou bem para todos os bancos desarrumados. Todos canetados, com desenhos mal-feitos e anotações. Uns assentos estavam carcomidos, outros mais ajeitadinhos – eram diferentes e definitivamente não eram iguais aqueles da sala do outro lado do corredor. Não se pareciam com nenhum outro conjunto de bancos de sala de todo o prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje esse menino não sabe explicar o que o fez ficar naquela sala vazia por tanto tempo. Se foi a lousa rabiscada, o lixo espalhado no chão ou as pecunímias que, por ventura, um ou outro aluno deixou por ali. O silencio iluminado por aquelas luzes brancas e secas dava um tom de apreensão – era preciso fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino não pensou duas vezes e se pôs a sentar em cada uma das cadeiras. Sentava e lá ficava tentando se aconchegar mexendo os ombros, a bunda e a coluna. Sentava porque queria ver o que estava desenhado na prancheta da bancada, tentou entender um a um, suas formas e suas razões. Sentia que todos aqueles rabiscos o comoviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns desses desenhos o fizeram rir, outros tantos o pregaram na cadeira por razões desconhecidas, mas encantadoras. O tempo foi passando e o menino não mais lembrava quem estava sentado em cada cadeira na hora da aula, ou a ordem, ou ao menos se essas cadeiras tinham sido manchadas nessa ou naquela aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu então que no dia seguinte a sala estaria arrumada novamente. A lousa seria apagada, as cadeiras ordenadas – talvez até limpas – e a luz seria acesa para mais uma temporada de estudos. Viu que era tão pequeno quanto as pontas de caneta e os papeis jogados pelo chão. Viu que toda aquela atmosfera, por mais insignificante que fosse, nunca mais seria a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí começou a lembrar de todos os alunos novamente. Não como pessoas físicas de cara e bocas. Mas sim como sensações, vozes, risadas, olhares e toques. Esqueceu-se dos nomes para ficar apenas com o sopro de cada um que estava ali. O esforço foi tanto que viu a sala novamente em aula, viu as cadeiras ruindo para ajeitarem aqueles alunos inquietos e teimosos. O vai e vem da conversa e até os desenhos continuaram. A lousa pipocava em riscos e rabiscos. Estava tudo ali, vivo, dentro daquela sala vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se, apagou a luz e não quis saber do dia seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-3889753263330276416?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/3889753263330276416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=3889753263330276416' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3889753263330276416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3889753263330276416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/11/daqui-no-passa.html' title='Daqui não passa'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-7158435513521699246</id><published>2008-10-26T09:04:00.000-07:00</published><updated>2008-10-26T09:15:20.087-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Retratos perdidos'/><title type='text'>Segundo turno*</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SQSXCHWSh3I/AAAAAAAAAPE/kOFk5WVbeAE/s1600-h/robert_rauschenberg.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SQSXCHWSh3I/AAAAAAAAAPE/kOFk5WVbeAE/s200/robert_rauschenberg.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261496327263651698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O casal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse segundo turno eles completaram 3 meses juntos. Conheceram-se através de um amigo, na rebordose das férias. Na praia, Ilha Bela. Logo na primeira noite beijaram-se. Duas semanas depois estavam namorando. Foi realmente rápido. Eles não ligam, e se dão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal guardou para este último fim de semana de Outubro a volta à Ilha Bela mesmo. E as eleições? Não importa. Ilha Bela é mais importante; eles não estavam retomando o namoro, estavam fugindo. Seus sonhos valem mais que a tragédia eleitoral. Ela Topou o convite na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro turno saíram para comemorar 2 meses. Cinema seguido de um japa. Tudo as mil maravilhas. Ele não lembra em quem votou para deputado e senador. Presidente: nulo – está revoltado com o lodo político e, na verdade, não deu a mínima para as campanhas, só votou nulo porque seu pai o fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela avisou os pais: “Vou pra Ilha. Não vou votar.”, eles hesitaram, mas não ofereceram resistência. Porque, antes de tudo, não acreditam no Segundo Turno, são chatos e conhecem bem o interminável domingo de eleições. Preferem esconder da filha o único domingo onde não há alegria. As pessoas inesperadamente ficam sem fé. Anacrônicas. O domingo é verdadeiramente humilhante. Os pais dela não dão futuro para o namoro, mas iriam juntos com o casal se fossem convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada na sexta estava vazia. O fim de semana prometia Sol. “Vou transferir meu título para a praia.”, quebrava o gelo. Tudo estava perfeito. As mazelas da nação são menores que a necessidade de ouvir a voz do outro. Os escândalos, as falcatruas, as campanhas eleitorais, a banalização do voto; nada disso importava para eles. A paixão e a conveniência da praia - suas lembranças e seu papel na historia do romance - valem mais que tentar salvar o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto do hotel havia uma chama. Uma chama de amor e esperança que brilhava aparte das trevas que o país passava. Ele e ela podem ser os mais lúcidos da população. Os mais negligentes talvéz. Ou apenas contentes. Foi o melhor domingo de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Azarado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nunca teve sorte. Não ganhava nada. Nem bingo de acampamento. Nunca achou nada nas raspadinhas. Nunca encontrou um palito de sorvete premiado. No amigo secreto, aquele colega que esquecia do presente sempre era o que tinha tirado o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para essas eleições, não deu outra: mesário. Mal basta tirar o título e a carta do governo solicitando a sua apresentação para o treinamento dos mesários aparece debaixo do capacho. Parece até de propósito. Ele fez 18 anos e só não pegou exercito porque seu pé era chato e tinha escoliose. Sorte? Azar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como mesário teve de esquecer a saída com os amigos no sábado. Duas vezes. Segundo turno. Tudo de novo: as mesmas pessoas, o mesmo papo (“Titulo na mão. Documento. É pra deixar o celular desligado, ok?”), a mesma coreografia, a mesma paciência e a mesma mixaria – 12 reais – para o almoço. Mais um domingo que se vai. Azar? Azar dele, “Não há nada pior que ser mesário.”, pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era inevitável lembrar de alguns rostos.  Quando a mesma senhora lhe perguntou quem eram os candidatos – pela segunda vez – ele se segurou para não chorar. Ele deu muita risada daqueles que vieram de pijama. Dos que confirmavam o voto e se arrependiam na hora, pareciam todos com Homer Simpson quando soltava o seu famoso: “Duh!”. Um ou outro candidato a deputado votava na sua seção. Pareceram estar mais desanimados que no primeiro turno, sem broches, adesivos e a comissão de familiares e amigos. Devem ter perdido. “Azar deles.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não acredita muito no Brasil. Está acostumado a ver os outros darem mais sorte do que ele, mas sabe que o país precisa de seriedade, não de sorte. Não acha um azar a falta de candidatos, acha uma irresponsabilidade. O povo não é azarado, é falso. Tão falso quanto seus políticos. Comparou o colégio eleitoral a um matadouro. Os bois supostamente sabem que tem poucos minutos de vida. Supostamente devem imaginar que mais dia, menos dia, o matadouro vai chegar. Ficam supostamente normais na fila. Mas se olhar com atenção a essa fila aos olhares supostamente levianos dos bois, o que se vê é a forma mais pura da covardia. Azar deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Homem da praça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é ele? Ninguém exatamente. O homem da praça não é ninguém. Só está lá. Na praça. Ela é a sua ligação com o mundo terreno. Sua verdadeira pátria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da praça vive na praça desde que a praça foi construída. Dá bom dia a todos. Conhece as crianças que brincam nela e as babás fumantes e fofoqueiras pelo nome. Mas ninguém repara em sua existência. Ele tem seu banco. É dele. Nenhuma outra pessoa se atreveu jamais a roubar-lhe sua propriedade. Em baixo: quinquilharias e um espaço para dormir em caso de chuva. A cima: seu cobertor, garrafas e outros objetos que, para qualquer outro homem, que não o da praça, são lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhou num domingo haver mais vira-latas que gente na praça. Resolveu investigar e passou o dia caminhando pelos arredores. O homem da praça abandonou seu posto de guarda e resolveu ir atrás de seu rebanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou por alguns colégios eleitorais. Não era notado. Ouvia as pessoas conversando sobre tudo, menos sobre política. Eles disfarçavam. De vez em quando soltavam: “Vamos ver no que vai dar.”, “Dessa vez eu acho que a coisa vai mudar.”. Que coisa? O que eles esperam? O homem da praça achou estar na porta de uma igreja, numa vigília por alguém muito doente. Todos que entravam para rezar vinham apressados e sem muita alegria e saiam frios e dispersos como se o doente não tivesse salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os restaurantes estavam mais vazios. Tudo estava devagar. Transito só nas portas dos colégios. Flanelinhas faturando alto. Pela primeira vez achou que estava fora de alguma coisa. Voltou à praça. “O que está acontecendo?”, perguntou ao homem da guarita. “Eleições? Ainda bem que eu não tenho que votar.”. O homem da guarita não perguntou, mas tinha certeza que se o homem da praça tivesse algum documento, não seria um título de eleitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Esquecido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caramba, a cidade ta vazia! Que horas são?”. As oito horas da manhã. Pós after hour a cidade parecia não ter acordado. A Paulista estava às moscas. Por segundos, achou estar no filme ‘Extermínio’ e concluiu que ainda estava um pouco bêbado. Foi pra casa. Dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou, era quatro da tarde. Estava de ressaca. Olhou na janela e a cidade ainda não tinha acordado para o domingo. Estranhou e perguntou ao pai. “Eleições! Hoje? Puta merda!”. Jogou-se no armário. Colocou o primeiro par de roupas que encontrou na sua frente. Em dez minutos estava dentro do carro. Deveria votar no Itaim, onde morou até os 17. Porém, havia mudado para Perdizes, fazia já três anos. Pelo menos a cidade estava tão morta quanto no período da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro e meia. Chega ao colégio eleitoral. Ainda descabelado e lutando contra seu rosto para arrancar-lhe as últimas remelas e aparentar uma cara de quem acordou as nove da manhã tomou café, almoçou com a família e estava tranquilamente exercendo seu dever como cidadão durante um domingo de segundo turno. Esse olhar durou pouco. Ao passar uma garota atraente seus olhos correram-lhe o rosto. Dirigiram-se dos seios às coxas, como de praxe. Um detalhe nela o chamou realmente a atenção. Ele era pequeno, notável e intransferível. “O título! Esqueci o título.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou imóvel. Seu olhar aparentemente despretensioso se perdeu. Ele se sentiu desconectado ao lugar que estava. Sem o título tudo estaria perdido. Não iria votar. Todo o seu esforço para chegar a tempo seria em vão. Ele tinha boas intenções. Estudou os candidatos. Prestou atenção nas campanhas e tentou alertar os mais dispersos a não votarem em candidatos engraçadinhos, famosos, bonitos, ridículos. Todos sem conteúdo. Para ele, apenas alguns – poucos mesmo – mereciam estar na câmara. Não que gostasse de política. Mas acha isso um ato de amor próprio ao seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu correndo no meio de todos. Voltou pra casa em poucos minutos, furou todos os faróis necessários, cortou outros carros e estacionou na entrada da garagem do seu prédio. No seu quarto não achava o título de jeito nenhum. Revirou tudo. Já eram cinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou ainda mais desconectado e não sabia o que fazer. O interfone tocou. Seu carro estava impedindo que os moradores entrassem no prédio. A buzina do vizinho mal humorado lhe trouxe de volta a realidade. No carro ele procura um cigarro. Está trêmulo. O que irá acontecer com o seu futuro? Será preso? Deverá pagar alguma multa? Será mesário? Não poderá tirar passaporte? Não poderá concorrer para nenhum cargo público? A policia irá investigar sua casa? O que acontece quando deixamos de ser cidadãos? Afinal, o que é exercer a cidadania? É um domingo chato, uma lei seca, um voto obrigatório, um segundo turno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do porta-luvas, junto ao plástico do maço, estavam seu título, sua carteira de habilitação e alguns trocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi o seu domingo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Escrito em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Colagem de Robert Rauschenberg, ídolo pop.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-7158435513521699246?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/7158435513521699246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=7158435513521699246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7158435513521699246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7158435513521699246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/10/segundo-turno.html' title='Segundo turno*'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SQSXCHWSh3I/AAAAAAAAAPE/kOFk5WVbeAE/s72-c/robert_rauschenberg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-1499141003408320887</id><published>2008-10-02T06:40:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T06:45:58.226-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lições de vida'/><title type='text'>O fim do mundo e outras histórias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SOTQOBCq35I/AAAAAAAAAO8/NsD-vDtBA4s/s1600-h/ryden15.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SOTQOBCq35I/AAAAAAAAAO8/NsD-vDtBA4s/s200/ryden15.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252552004637220754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal pai, tal filho. Sentados no sofá, pleno domingo. O mundo treme lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, o mundo vai acabar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não filho, porque ele acabaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Romerito disse que o pai dele disse que o mundo vai acabar se não fizerem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o mundo vai acabar um dia. Não hoje, nem amanhã. Um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segundo o pai do Romerito, o mundo quase acabou nessa semana. Ele disse que a bolsa quebrou e estão precisando de 700 bilhões de dólares. 700 bilhões não muito dinheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde você anda ouvindo essas coisas? Sim, 700 bilhões é muito dinheiro, mas alguém deve e vai ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Silvio Santos tem 700 bilhões não tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não filho, o Silvio Santos não tem tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então o mundo vai acabar! - começa a chorar. E o Bill Gates, ele tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Bill Gates também não tem, mas o governo tem e vai ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por que o governo vai ajudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, filho, não sei. O governo é tipo o pai da bolsa. Pensa que a bolsa quebrou o vaso da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o vaso não custa 700 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, o vaso é mais barato. Mas imagina que um vaso quebrado já é motivo suficiente para a mamãe querer matar você, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É - engole o choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, o mundo acaba se a mamãe ficar brava, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um vaso quebrado é um problema para a bolsa, então ela precisa do pai dela para comprar um outro vaso antes que a mãe chegue em casa e acabe com o mundo, não está certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o pai da bolsa é um cara muito legal. Ele sempre deixou a bolsa fazer o que ela sempre quis. Sabe, ela podia jogar bola na sala, ver TV até tarde, roubar o lanchinho dos colegas. Tudo isso numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, que pai legal. Você deixa eu dormir na casa do Romerito hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não filho, eu não sou tão legal quanto o pai da bolsa. Mas veja só, o pai da bolsa quase não ligava para o que ela fazia; ela tirava boas notas e era a primeira da sala. Ele não tinha do que reclamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, então, ela pode quebrar quantos vasos ela quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez. Mas não. Se a bolsa quebrar o vaso, o mundo acaba. O mundo – faz um movimento circular com os braços e esboça um carão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, que chato, não quero ser a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também não quero ser o pai dela. 700 bilhões é muito dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pelo menos ela pode fazer o que quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- To sentindo que ela vai ouvir bastante. Vai demorar para ela brincar de casinha de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagem do inescrupuloso Mark Ryden. Uma infância do avesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-1499141003408320887?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/1499141003408320887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=1499141003408320887' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1499141003408320887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1499141003408320887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/10/o-fim-do-mundo-e-outras-histrias.html' title='O fim do mundo e outras histórias'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SOTQOBCq35I/AAAAAAAAAO8/NsD-vDtBA4s/s72-c/ryden15.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-6606849912392953051</id><published>2008-09-18T12:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T14:21:45.367-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horror existencial'/><title type='text'>As imagens da besta</title><content type='html'>Há exatamente uma semana tive uma série de visões que me lembrariam um pesadelo salvo o fato de eu ter anotado tudo, o que você vai ler a seguir é um breve relato sobre a televisão e a sua (in)capacidade de agregar algo a todos nós. Eis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não acredito no que estou vendo. Após uma salada Bassi me espreguicei no sofá em frente a maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canal vai, canal vem, me deparei com um interessantíssimo debate a prefeitura de SP.&lt;br /&gt;Nada mais popular: TV aberta, em queda – BAND -, todos candidatos presentes, péssimo fundo azul e intrepretação mexicana dos atores – pela primeira vez consegui caracterizar uma caricatura! Personagens raros, é bem verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKvARB1XXI/AAAAAAAAAN8/-oFgj7-v7Bw/s1600-h/Chaves.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKvARB1XXI/AAAAAAAAAN8/-oFgj7-v7Bw/s200/Chaves.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247448934946004338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o Boris estava muito sem poder; sem muita presença – ele não falou “É uma vergonha!” Anyway, é impossível não gostar do Boris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKu54SWRcI/AAAAAAAAAN0/Peqt1j7FXUQ/s1600-h/boris.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKu54SWRcI/AAAAAAAAAN0/Peqt1j7FXUQ/s200/boris.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247448825225168322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do míssel de propaganta – em grande parte eleitoral -, antes do último bloco. Imagino que deve ser o mais importante, quando os candidatos dão a palavra final: concluem e reforçam o slogan que resume (e compreende) o posicionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, desisti. As propagandas estavam me batendo há uma hora e quatro intervalos. As mesmas, os mesmos. Quem estava com o Boris, no break, estava com o povo e prometia metro, saúde e vida melhor à cidade cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí viajei até a franquia cult da rede Telecine. Farenheit 9/11 seguido por um (independente) documentário-turístico sobre os soldados que foram/vão para o Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Até então, o debate depois da salada não avivara minha memória. Esqueci que há 7 anos duas torres grandes caíram e foi como duas bombas explodindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que veio depois disso marcou a década? Sim, de preocupações econômicas à maquiagem do novo Coringa, 2001 foi o ano zero da década (do século seria muita pretensão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Iraque, coitado, também subiu bastante na agenda de assuntos durante esses anos. Daí para documentar os soldados, a vida deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( - Interessante com tudo é documentado de todos os jeitos por todas vontades (e eu duvido que nenhuma vontade me convence hoje como os amores exalados de épocas a mim anteriores.))&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óbvio que o documentário (quando eu peguei) começou broxante. Relatou-se a vida de cada multilado, o árduo trabalho para recuperação, suas famílias. Queria muito que mostrasse as tentativas desses mancebos para ingressarem nos grandes times de Murderball – toque de genialidade que faria a diferença, ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixou-se a bola para os que não voltam e aos ingênuos (vi Tom Hanks) que não sabem direito para onde ir, ou para onde e porque vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwBRlJpII/AAAAAAAAAOM/VLEqXNpVlB4/s1600-h/iraq.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwBRlJpII/AAAAAAAAAOM/VLEqXNpVlB4/s200/iraq.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247450051785630850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí passou para uma abertura de papo político e eu, atordoado pelo pleito de minha cidade, decidi (após uma despretenciosa fuçada no descritivo eletrênico de cada canal) ir para o animado Multishow.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho o canal da minha geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro. A MTV foi foda, mas largou a todos há uns 5 ou 6 anos. O Multishow sempre nos agradou. No começo com o Sexy Time – se você quer garantir sua audiência de 15-16 anos e não sabe como, ficadica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, veio com clipes legendados! e com séries sensuais (Bay Watch, Sex and the City – ambos, alias, exemplos vivos da mudança comportamental e de consumo após 11/9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, o Multishow está velho, semi-homem-bunda-mole, como eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Edgard ficou velho, foi pra lá. A Sarah não tinha talento, mas tinha família poderosa e carinha global, foi pra lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKvc-5KiPI/AAAAAAAAAOE/huGEKrqkSzc/s1600-h/blog_edgard.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKvc-5KiPI/AAAAAAAAAOE/huGEKrqkSzc/s200/blog_edgard.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247449428294011122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Didi ficou antiquada, quase vintage. Foi pra lá. Essas foram umas perdas significantes para a MTV, mas não tinha como – esticaram o braço demais, se fosse para segurar, o braço caia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, Multishow, como você tem minha idade/Zeitgheist? “Porque eu tenho Stand up comedy, meu filho!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é claro. Era o que faltava. Mas não bastava uma stand up comedy enlatada. Isso o Multi tira de letra, a Sony(eca) faz também. Ta tudo perna aberta essas importadoras aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Stand up comedy não era um simples stand up comedy, urinol, azedume ou qualquer outro nome que você pregue a esse novo jeito de programa humorístico; ele é um documentário sobre stand up comediers, palermas ou vale o que você achar melhor para nomear o ofício de cada um dos homens que, de pé no palco, contam piadas e improvisam. O que importa é que os protagonistas eram muçulmanos!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwVlI1nYI/AAAAAAAAAOk/TUkT8SSfXxg/s1600-h/rappers_wideweb__470x352,0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwVlI1nYI/AAAAAAAAAOk/TUkT8SSfXxg/s200/rappers_wideweb__470x352,0.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247450400632970626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ainda faziam um par de piadas sobre o Islam. Caçoavam da religião, tinham SUV’s, comiam na lanchonete monstro do bairro, tinham TV’s gigantes e a cara lavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem deles na vida real era certamente mais engraçado que qualquer piada que eles venham a acertar no palco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda tinha aquele momento família (tem coisa mais piegas que isso?) com as namoradinhas turbinadas e os papais e mamães indo para a mesquita. Péssimo. Eu pessoalmente, achei melhor garantir uma certa segurança e prestei bastante atenção no que tive testemunho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quem faria um documentário desses? Quem jogaria um negócio desses na televisão? Quem compraria um documentário desses e jogaria na televisão em pleno onze de setembro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pleno onze de setembro. Essa foi fantástica, pois acho que alguns espertinhos, como eu, possam vir a ter esse mesmo raciocínio que segue: a TV é ótima, uma piada. Cada canal, cada sistema, administra a pauta ou importância do dia – ok, 9/11 não é pauta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sine qua mon &lt;/span&gt;do noticiário de hoje – mas é lindo como não tem um que se salve. E a responsabilidade de cada canal? Ainda mais os pagos, que procuram ser tão segmentados que acabam esquecendo da inteligência do espectador que tem que ver TV com um guarda-chuva na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora to com medo de ser um anormal? Não, só acho que a TV ta devendo, a Globosat ta muito ruim – até tiraram o Manhatan (ou deram férias) em plena corrida presidencial americana. É bem agora que o que eles falam vale a pena ser ouvido e eles me saem da grade! Pra que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu adoro o Telecine. Era legal, ficou uma merda. Antes tinha o Classic e os pornôs começavam mais cedo – reprises Emanuelle, praticamente um suspiro de época de pokemon e arroz feijão no café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não! Hoje tá mais para competir com a BlockBuster do que com os filmes HBO – ó que a HBO já é terrivelmente ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem padrão Tele, Fail!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda me lembrei que nessa nuvem de zapeadas raspei num filme do Spike Lee no Telecine (!). E ai? Ele tava no Pipoca! Cara, colocar um Spike Lee no Pipoca é apelou perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKxP2dMhTI/AAAAAAAAAO0/s_kFnJEYruU/s1600-h/sppike.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKxP2dMhTI/AAAAAAAAAO0/s_kFnJEYruU/s200/sppike.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247451401714173234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até considero que o seu Lee fez alguns que mereciam essa framboeza, mas imediatamente meu super ego me lembra dos nossos queridos onzes de setembros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( - Onzes de setembro é um bom nome boçal ao estilo monumento pra ficar perto da 9 de Julho.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spike Lee, Nova York, dublado, alternando com “The Soldiers go to Iraq,  how pitty” (why don’t they discuss the war instead of it!) – que vergonha… E ainda o porno nem começou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwblO1dbI/AAAAAAAAAOs/_qVcZlc07IY/s1600-h/Thomas+Hoepker++Magnum+Photos++Agentur+Focus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKwblO1dbI/AAAAAAAAAOs/_qVcZlc07IY/s200/Thomas+Hoepker++Magnum+Photos++Agentur+Focus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247450503737341362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa última foto é a que melhor representa o texto e o evento 11/9/01. Está em exposição no Espaço Paparazzo, na Pedroso de Morais juntos com um várias outras do Thomas Hoepker.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-6606849912392953051?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/6606849912392953051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=6606849912392953051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6606849912392953051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6606849912392953051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/09/as-imagens-da-besta.html' title='As imagens da besta'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SNKvARB1XXI/AAAAAAAAAN8/-oFgj7-v7Bw/s72-c/Chaves.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-5935010432629791294</id><published>2008-09-12T11:41:00.001-07:00</published><updated>2008-09-12T11:41:38.821-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Benditos anúncios'/><title type='text'>Il retorno</title><content type='html'>Como Jesus, esse blog ressuscita para morrer de novo e ficar no eterno limbo existencial da vida humana. A diferença é que demorei quase três meses, enquanto Ele fez tudo em 3 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito se diz que quem parado está, poste é. Justo, porém irreal, se até os postes andam e as tartarugas voam – nos filmes iranianos – a questão estática compete ao estado de preguiça mesmo. Moleza pura ou falta de interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora a coisa mudou, a preguiça sarou e o espaço fértil voltou para ficar (ou não). Como diria Marcilia, “Segue o jogo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai que é sua, e carimba, Luciano, que o gol é legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã ou hoje a noite tem post fresquinho, BEWARE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SMq3iztD1GI/AAAAAAAAANs/U9qpX0c1lew/s1600-h/gol+de+mao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SMq3iztD1GI/AAAAAAAAANs/U9qpX0c1lew/s200/gol+de+mao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245206524649002082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-5935010432629791294?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/5935010432629791294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=5935010432629791294' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5935010432629791294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5935010432629791294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/09/il-retorno.html' title='Il retorno'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SMq3iztD1GI/AAAAAAAAANs/U9qpX0c1lew/s72-c/gol+de+mao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-3910286883834690799</id><published>2008-05-30T16:27:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:21:30.844-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casos de vitória'/><title type='text'>Nasce uma banda !</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SECU_ov-dVI/AAAAAAAAAKA/cVds723_B_0/s1600-h/banda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SECU_ov-dVI/AAAAAAAAAKA/cVds723_B_0/s200/banda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206324990231606610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu aprendi a arte do crime, posso dizer. Hoje mesmo, vendo o meu&lt;a href="http://ispure.blogspot.com"&gt; Brô Phernando&lt;/a&gt; anunciar a sua mais que nova (mais que quente) banda projétil tive que fazer o mesmo. Não por qualquer inveja, somos bons músicos, mas sim por questão de velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como as bandas brotam mais rápido que a lamacenta meleca dos pombos que surge no capô do meu carro quase que diariamente. Tive eu, pessoa que must be inside, que armar a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje está mais que claro que o que importa mesmo é atitude, presença e personalidade. Põe uma musiquinha chiclete e um ritmo balanceado e modernoso que é &lt;a href="http://youtube.com/watch?v=hiASZwzXySc"&gt;(vai ser, tá sendo)&lt;/a&gt; um sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos a receita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegue o nome do artigo no link da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random"&gt;Wiki&lt;/a&gt;. Este é o nome da sua banda; vale o que vier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora escolha as 3 ou 4 últimas palavras da última crítica desse link do &lt;a href="http://www.quotationspage.com/random.php3"&gt;Quotes&lt;/a&gt;. Você já forma o nome do álbum; simples e com poder de se fazer ecoar pela mente indie alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí é só usar seu poder de designer tosco e suave com a terceira foto do link do &lt;a href="http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/"&gt;Flickr&lt;/a&gt;. Mais um elemento na mistura abarrotada de significados e bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o Stout Scarab. Um bom nome, um bom álbum, pronto para o sucesso. Fiquem atentos ao seu myspace, ao seu last.fm. Essa banda promete e vai longe. Ou você acha que o Architecture in Helsinki ou o Dead Cab for Cutie nasceram da onde ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-3910286883834690799?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/3910286883834690799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=3910286883834690799' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3910286883834690799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3910286883834690799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/05/nasce-uma-banda.html' title='Nasce uma banda !'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SECU_ov-dVI/AAAAAAAAAKA/cVds723_B_0/s72-c/banda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4758237719097029311</id><published>2008-05-30T08:26:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:21:34.184-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heróis copy/paste'/><title type='text'>Como Robinson</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAfDov-dQI/AAAAAAAAAJY/CdQPJhgO6Qo/s1600-h/crusoe.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAfDov-dQI/AAAAAAAAAJY/CdQPJhgO6Qo/s320/crusoe.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206195316579005698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a blogueirisse depois de dias de solidão e árduo trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, roubei uma coleção das mais antigas do meu pai dos livros de Julio Verne. Aquelas tiragens de livros que saiam na capa dura, ilustrações e linguagem pré-reforma da língua portuguesa. Um clássico. Um prestígio ler crases em O’s e C’s antecedendo T’s em casos diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tardou e já estou devorando “Vinte Léguas Sub-Marinas” como o bolor avança nos livros velhos de cheiro tão atraente quanto saturado de fungos. O encanto pela obra foi inato, mas tenho que enfatizar o carisma de um personagem. O Conselho. Sim, o cara chama Conselho e é o mordomo do narrador. Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça. Com Verne não é verdade e o Conselho é tão prestativo quanto o Alfred do Batman só que mais jovem e atento – seu amo, ao que parece, é um intelectual pouco viril e um tanto pedante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAgYIv-dTI/AAAAAAAAAJw/xaNXZ_2yzxE/s1600-h/alfred.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAgYIv-dTI/AAAAAAAAAJw/xaNXZ_2yzxE/s200/alfred.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206196768277951794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conselho é bom, mas não se compara com o maior dos ajudantes com nomes de verbetes. Sexta-Feira sim é um coadjuvante-substantivo campeão. Foi com Sexta-Feira que Robinson, o Crusué, sentiu o frescor da amizade em seu exílio. O antes selvagem, convertido a fiel capataz de um homem branco (invasor) da ilha deserta povoada por atrozes índios, mostra como colônia e colonizador podem se dar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-Feira e Robinson deram liga a imaginação de todos. De Tom Hanks a Survivor, foi a dupla que inaugurou o cânone ilha deserta mais amizade mais muita confusão. Quem nunca sonhou com isso? Se bem que muitos pararam na delicinha da Lagoa Azul, o filme mais visto das tardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas fantasias sacudiram minha mente hoje quando eu li no &lt;a href="http://www.boingboing.net/2008/05/29/adventurer-will-live.html"&gt;BoingBoing&lt;/a&gt; que tem um maluco francês que vai fazer uma aventura digna de Robinson Crusué do século XXI. Sim, ele vai para uma ilha deserta no Pacifico passar uma temporada. Tudo solamente sozinho, com ferramentas primárias e, lá vem ela, uma câmera para registrar tudo! (mais um carregador de bateria integrado a um painel de captação de energia solar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absurdo! Infâmia! Podem dizer os mais aguerridos ao romance romântico e ao direito de culto a imagem sagrada que a prosa do DeFoe pintou na nossa mente. De fato, é apropriação sem escrúpulos de uma idéia que só era possível nos tempos sem tomada e GPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAf3Yv-dRI/AAAAAAAAAJg/PYVfwE4kaQY/s1600-h/ilha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAf3Yv-dRI/AAAAAAAAAJg/PYVfwE4kaQY/s320/ilha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206196205637235986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do larápio é &lt;a href="http://private-islands.blogspot.com/2008/05/xavier-rosset-300-days-alone-on-island.html"&gt;Xavier Rosset&lt;/a&gt;, francês e documentarista. Ele quer mandar tudo para o taipe para o rss e para os tubes da vida. E olha que a ilha é linda. Não me pergunte o porquê desse pequeno paraíso ser desabitado. Penso, logo, na existência de pterodátelos gigantes e moscas de um metro de altura. Coisas típicas dos Herculóides, trupe de heróis fantásticos que merecem uma versão cinematográfica – pelo menos pela sua ousadia de formatos e peripécias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAgIYv-dSI/AAAAAAAAAJo/_oBko2Y8fCM/s1600-h/herculoides.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAgIYv-dSI/AAAAAAAAAJo/_oBko2Y8fCM/s320/herculoides.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206196497695012130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, eu poderia ser esse Xavier. Todos nós poderíamos. Não sei como ele conseguiu financiamento e permissão para rodar tudo isso. Quem garante que ele não será perturbado durante esse tempo? Eu posso muito bem chegar lá de caiaque, como que não quer nada. Ou algum baleeiro japonês pode usa-lo como refém, em troca de umas baleinhas. Se for para ser Robinson, tem que ser naufrago. Tem que ter Sexta-Feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também, caro amigo. Imagine se a moda pega e a peleja do homem versus a ilha da solidão vira terapia ou livro de auto-ajuda? Vejo os multimilionários do Bahrein, Emirados Árabes e companhia alugarem as ilhotas particulares de Dubai para o intento. Imagina o Richard Branson inaugurando a Virgins Empty Island, onde quem pagar mais de 20 mil dólares pode passar uns meses sozinho ou com a sua Sexta-Feira favorita. Vá lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Robinson custa caro. Mas vai ter aquela situação em que você vai ter que confessar comigo: tem horas que todo mundo quer ser Robinson. O tempo de dar um tempo e esquecer tudo e todos. Partir para a ilha deserta, coisa tão banalizada hoje em dia, e tentar tirar leite da pedra e beber água da chuva, dormir na areia e não fazer a barba. Garanto que tem horas que a troca vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shot Sexta-Feira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4758237719097029311?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4758237719097029311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4758237719097029311' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4758237719097029311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4758237719097029311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/05/como-robinson.html' title='Como Robinson'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SEAfDov-dQI/AAAAAAAAAJY/CdQPJhgO6Qo/s72-c/crusoe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4158323016393882777</id><published>2008-05-08T12:06:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:21:32.796-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casos de vitória'/><title type='text'>Como se faz Renato</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SCNRG6vIwcI/AAAAAAAAAJE/nxGlvkTSEjA/s1600-h/bill+viola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SCNRG6vIwcI/AAAAAAAAAJE/nxGlvkTSEjA/s320/bill+viola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198087574203711938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em algumas questões bem planejadas pela W/Brasil, Santoliquido fala sobre Renato assim como Edson fala do Pelé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para me conhecer, concluí eu após um devaneio junto aos meus botões, que não tenho outra opção a não ser falar sobre ele, meu alter ego: João Galante. Um homem de sucesso e virtudes inumeráveis, um homem que toda mãe gostaria de ter como genro, ele e o Rei Roberto. Um homem que move multidões. Um homem que ainda está para baixar no corpo que escreveu essas linhas. Um homem para se ver no futuro, mas, se a vaga é para daqui a 6 meses, falem com o Renato mesmo, ele dá para o gasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gosta de novelas, gosta de escrever textos longos, textos que hão de ser compilados e lançados numa edição da Cosac &amp; Naify quando ele partir, textos que ainda vão fazer a diferença. Ele planeja também. Ele joga futebol, mas escreve com maestria e não consegue falar dele mesmo na primeira pessoa – eis um sinal de sua modéstia incomparável, da sua incrível diplomacia com o interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um garoto de classe média, nascido e criado nos morros da Vila Madalena, acostumado a muita mistura e carros buzinando de madrugada. Para fugir um pouco de um dos epicentros da noite paulista, Renato aprendeu a apreciar a sétima arte. Não há lembranças de quando, mas ele jamais esqueceu do filme Fellini 8 e ¹/². A fita já foi vista e revista umas dezenas de vezes a ponto do nosso herói memorizar falas, músicas e entradas dos personagens. O amor louco pela obra prima se dá no contato sempre representado entre o onírico e o real, entre o fantasioso e o agonizante não só dentro do cinema, mas também no que tange á procura do insight – palavra tão em voga atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema fascinou e encantou o candidato. Chegou a ir diversas vezes sozinho à sala escura, já foi capaz de assistir o mesmo filme por duas vezes seguidas. Não estranha indagar sobre a falta de sociabilidade do garoto. Mentira. Engana-se quem acha que nosso garoto é um introvertido e autista; muito pelo contrário, a amizade e o carinho de terceiros, para ele, é o lhe dá orgulho e satisfação nessa vida. A amizade e seus bons momentos são inesquecíveis. Agora se você quer saber o que excita, além disso, pode-se citar o fato de conseguir diversas coisas através do trabalho e do empenho pessoal. Ora em terras brasileiras – quando comprou seu skate com um dos primeiros salários -, ora em terras austrais – ao patrocinar suas viagens com trabalho suado dentro da cozinha -, Renato honra sua independência com responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível, porém, não narrar a maior conquista da sua vida: fazer televisão. Na ESPM, ele teve a oportunidade e viveu, aprendeu e cresceu junto a uma equipe de igual qualificação. Momentos ímpares e eternos. Organizar, planejar, criar e encantar foi possível pela primeira vez para o garoto. Inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que passamos pela Superior de Propaganda e Marketing, motivos não faltaram para que Renato desviasse (abandonasse) sua primeira opção de formação, administração, e partisse com tudo para a propaganda. Todos nós, agora maduros, podemos considerar uma idéia meio desmedida e insensata, mas alguma coisa lá dentro falou mais alto. Essa coisa não pode ser materializada e o pai de Renato quase deserdou o rapaz por isso. O garoto achava que para ser propaganda, tinha que ser genial. Fazer propaganda e, principalmente, se comunicar com públicos diferentes em ocasiões e formatos mutantes encanta aqueles que sempre se sentiram dispostos a mudar o mundo de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alucinado por televisão e cultura popular, o candidato se encantou com o comercial da Revista Época, A Semana, criado por vocês aí da W/Brasil. Brilhante, o filme prende a atenção e é objetivo, sua produção ajuda com uma trilha suave e imagens bem escolhidas. Lançar uma revista semanal completa num país onde só se fala em Veja era uma tarefa difícil e, na época (sic), a Época garantiu seu espaço dentro da cabeça do consumidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encanto pelo jornalismo e a informação precisa são algumas qualidades raras. Renato gosta muito desses assuntos, não por acaso, lê jornal de manhã ao lado do pai há uns 8 anos e devora livros quase que semanalmente. Uma vez lido Cem Anos de Solidão (de cabo a rabo em 3 dias de idéia fixa), lagrimas correram seu rosto. Talvez o livro mais emocionante. Contudo, em matéria de livro completo, não há outro que não Crime e Castigo, talvez Ulisses ou Em Busca do Tempo Perdido – esses dois últimos almejados e nunca lidos. Dostoievski dilacera um romance seco e profundo. Chega-se a ter calafrios por se habituar ao clima gélido de S. Peterburgo, de tão bem descrito. Impossível não se identificar com os dramas apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livro na estante, liga-se a Tv, o computador, o iPod e perdemos o foco novamente. A velocidade e as prateleiras de cauda longa dos dias de hoje mexeram com a geração nascida nos anos 80. Música, por exemplo, corre pelos ouvidos do nosso mancebo como os motoboys do transito paulista. Garimpeiro assíduo e amante de música eletrônica, clássica, rock ‘n roll, soul e hip hop, Renato recusa o rótulo de eclético – apesar de saber de tudo um pouco, como manda a cartilha publicitária. Ritmos novos, combinações, bandas de 15 minutos de fama; surfa-se nessa onda e, para o prospect de planejamento, o melhor Cd atual é Sound of Silver, do LCD Soudsystem. A banda de New York fez um álbum irresistível em 2007, ouvir uma faixa significa escutar o cd todo. Impossível não dançar. Bom para o pessoal do rock, da new rave, do eletrônico e da pista no geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho é falar de um Cd sem nunca possui-lo. Renato não tem o produto físico. Ver televisão é um pouco estranho, com vídeos pipocando em todos os cantos. O garoto não é fã de séries americanas – talvez somente The Office o agrade -, seu programa de Tv favorito é o Manhattan Connection, da GNT. Para entendermos a escolha é só voltarmos ao ponto onde Renato é descrito como uma pessoa atenta e atualizada. O programa de discussão passa pela cepa da política e economia mundial, sem esquecer da cultura. O horário ajuda bastante, afinal de domingo à noite a chance de estar em casa é alta. Novelas? Sim, por favor, mas no momento não há tempo para apreciar da dramaturgia brasileira do jeito que a mesma merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer faculdade, trabalhar e preparar um trabalho anual consome muito de Renato. Nosso pobre diabo não pensa em outra coisa que não se formar, com um bom emprego, alguns méritos e muitos amigos. De qualquer forma, trabalhar é preciso, é para isso que ele se dispôs a escrever esse texto que, de lascivo e prolixo, trata-se de uma análise da marca Renato, um breve histórico com algumas firulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora temos que ser profissionais, irmos direto ao ponto. O que motiva o planejamento em Renato são as possibilidades de com estratégia e criatividade desenhar caminhos interessantes. O famoso insight salvador de marcas e campanhas vem do planejamento. Há sim um interesse pela criação. Há sim um interesse pela produção e execução tática. Porém, ainda em fase de aprendizado e com garra e cabeça aberta nosso herói presta mesmo para planejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leviano seria ele se batesse na porta alheia sem motivos para entrar (e ficar) na casa. Renato gosta da W/ e acha o platel de clientes pra lá de delicioso para se trabalhar. Lido o livro a Toca dos Leões, o candidato gosta de frisar uma passagem onde a agência não queria “ser a maior, mas a melhor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato não pensa em ser o maior, nem o melhor. Ele quer uma oportunidade para provar que é capaz e dedicado. O programa o interessou, a vaga é ótima e ele entra para ser titular. E a história não pára por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Imagem da piscina maravilhosa de Bill Viola - nome de craque, arte do reflexo e suas possibilidades. Eeeeesse é fera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nxTl5Km_hbs&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nxTl5Km_hbs&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4158323016393882777?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4158323016393882777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4158323016393882777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4158323016393882777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4158323016393882777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/05/como-se-faz-renato.html' title='Como se faz Renato'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SCNRG6vIwcI/AAAAAAAAAJE/nxGlvkTSEjA/s72-c/bill+viola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4710384730009578720</id><published>2008-04-18T10:39:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:21:36.656-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Decepções cotidianas'/><title type='text'>Som sem fim</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SAjdOQZC2kI/AAAAAAAAAHc/Wyx6X9bwfgQ/s1600-h/remed.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SAjdOQZC2kI/AAAAAAAAAHc/Wyx6X9bwfgQ/s320/remed.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190641807532415554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor música nos últimos 4 minutos: Sunday, Sonic Youth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os projetos, planos, imersões e fundamentalismos da minha mente, só fiz um: ouvir mais música. Aprender mais sobre ela, aprender com ela. Ouvi de amigos, inmigos, de rebarba na conversa dos outros. Garimpei e fui atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me considero um adulto, um homem da música? Claro que não. Tudo questão de macromovimentos e microvontades. Seguinte: pegar música ficou mais fácil que pegar trânsito. Só meia dúzia de tecladas e pronto. Pimba! Você tem um som novinho em folha correndo no ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modernidades a parte, o lance é fomentar o iPod com a última. Dar comidinha para o bichinho virtual que parece ter espaço infinito e fome do desconhecido. Vai, filho, vai ser indie na vida. Ou pelo menos ouça bem o que os Stones tem a dizer. Quem sabe um pouco de James Brown pode animar essa tarde de sol e sono. Maravilha! Tudo do caralho! Acaba-se com a ansiedade – o será esta cresce ainda mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It’s happening!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Meu querido, quer ouvir o top 10 da Estônia, manda bala e ouve. Mija no seu ouvido, vai lá. Acha que tá bonito balançar o fio branco no busum e ainda chegar a toa na mulherada Você ainda não ouviu isso? Como não? Já sou íntimo dessa banda. Os caras tem pegada. Eu também tenho, ta afim ? Pimba! Beija a aliança invisível e corre pro abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cretinice á parte, o fato é que se não encararmos o lance musical de um jeito diferente, vai ficar estranho. Penso assim: se o seu avô lutava para ouvir uma transmissão do Pixinguinha na radiola do vizinho ou no bar da esquina, ele valorizava muito o tal do samba e, todavia, só tinha isso ou aquilo para ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu pai e mãe se embalavam na american music, nas ondas bossa nova, tropicália, ou beatlemaniaca. Que seja! O vinil era tão cheiroso, tão redondo, tão enorme com pinturas, desenhos e alucinações na capa. O vinil dos lados A e B, do plastiquinho para proteger. O amor deve ter esse cheiro. E, vamos lá, não era fácil assim conservar a vitrola em casa; a bolachona era cara e as grandes gravadoras mandavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vai muleque, compra um CD do Molejão pro pai. Na fala do Gugu você ouvia Taí o Disco de Platina do Raça Negra! Quanta alegria, CD vai a rodo. No plástico industrial do Made in Taiwan. No encarte mini cheio de fotos toscas e letras compactadas das canções. Mas ainda sim, tinha o lance físico. O apetrecho do disc man para os modenóides que tentavam ouvir um Radiohead no treme treme do ônibus. Nessa época já dava para um ou outro selo mais descolado lançar esta ou aquela banda – benditos! O que não veio de maravilhas dessa iniciativa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes quebraram o nariz nessa da distribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora veja você, caro colega: ontem cheguei e usurpei mais de 30 anos de Dub jamaicano em segundos. Cadê o cheirinho de amor? Pra onde foi a radiola de padaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lance do desapego físico da música impera. Menos é mais e 30 gigas de música não faz mal a ninguém. O problema é que tudo ficou mais gratuito. Explico, como o entra e sai de sons lubrificou, turbinou e multiplicou o seu repertório você não tem mais aquele envolvimento com cada uma das suas mais de 10 mil tracks da telinha do seu mp3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma lá. Nada impede de você se apaixonar por tudo que nunca ouviste cantar na vida, mas o garimpo intenso pode fazer mal ao lavrador. Este pobre peão da vida pós-moderna acaba perdendo o pé quando a piscina se enche de novas informações. Tem músicas e músicas; coisas realmente boas e coisas bacanas de se ouvir. Mas também tem muito nheco-nheco que dói de tão ruim. Como tudo na vida: mulheres, futebol e cerveja. É só com envolvimento que se descobre o que é bom para tosse – e que se envolva com moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que ouvir música está para a facilidade assim como o Tico Tico para o Fubá, preparem-se para a lavadeira de coringas toscos e bregas, mas também para uma mão de Ases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo que cresce assim do nada. A orientação ideal para não se deslumbrar nem ser precoce demais para acabar a corrida antes da largada é fundamental. Vai assim de bobeira, nas beiradas que você vai longe. Vai garoto, mãezinha quer um CD do Axé Blond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- imagem de Remed, grafite e seres mirabolantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4710384730009578720?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4710384730009578720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4710384730009578720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4710384730009578720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4710384730009578720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/04/som-sem-fim.html' title='Som sem fim'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/SAjdOQZC2kI/AAAAAAAAAHc/Wyx6X9bwfgQ/s72-c/remed.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-4497812863600627476</id><published>2008-03-31T06:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:21:35.456-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo firula'/><title type='text'>Pessoas de luz própria</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/R_Dsay21lHI/AAAAAAAAAGg/2rSbXRfIfbY/s1600-h/bispo+do+ros%C3%A1rio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/R_Dsay21lHI/AAAAAAAAAGg/2rSbXRfIfbY/s320/bispo+do+ros%C3%A1rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183903116175971442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre bom falarmos da vida pós moderna. A vida anunciada todo domingo no Fantástico, a vida daqui há 5 ou 10 anos. Quando chegaremos a morar na Lua, ou o dia em que pagaremos a passagem na catraca do trem bala Sampa-Rio com o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilhante futuro nanico da vanguarda japonesa, sempre eles. No Japão é antes, muito antes. Lá todo mundo vive espremido, lá as pessoas vivem em casulos com muito mais luxo que os apês de cemetrosquadrados de muita gente por aqui. No Japão a histeria pop chega a dar medo; os homens suicidas gangsters cabeludos punks, as mulheres neuróticas grupies de Kate Moss e hypes miguxo-radicais. Tudo muda em uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápido mesmo é o vaivém de tudo e todos. Entrou, fatiou, partiu. Chegou, sorriu, saiu. Não é mole acompanhar as manadas de pessoas enclausuradas na piada interna e na azaração entre amigos. O problema é que esse tipo de coisinha sempre aconteceu, o problema é que você ou não sabíamos. A vida com luz própria permite tudo ao mesmo tempo agora, mas abre um flanco da privacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mal que saibam ou venerem o próximo, talvez ele possa estar mais próximo que os implacáveis astros do cinema vintage cheio de estilo ou dos novos bandleaders da última semana, que estouram e viram reis da noite para o dia. Anote o fato: precisa-se cada vez mais de ídolos que emplaquem como no passado, mas como não vemos muitos deles hoje em dia, é só um Zé fazer bonito que já ganha os superpoderes de Jagger ou Bowie – resguardadas a suas proporções de público e renda. É como o jogador que ganha a partida em time ruim, vira Deus logo nos vestiários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo é o seguinte: os que tem luz são os que absorvem e replicam qualquer coisinha mixa. Só mandar o link, ou como diz o senhor burocracia: Gostei do que você falou, manda um e-mailzinho para eu responder isso mais tarde, vou pensar com calma. Aí não, essa de manda um e-mail é muita estupidez, coisa de quem é mole mesmo e não se esconde em plena luz do monitor para não tomar decisão olho por olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Craque mesmo só aquele que no meio da escuridão levanta a aba do laptop e manda bala na informação. Seja no cafezinho chic da Bela Vista, seja na sala stadium do cinema (e porque não?), o traficante da informação tem luz própria pois sabe radiar. Mesmo que venha o mais puro besteirol, ele tem o toque de bola argentino, toco e me voi, e quando você vê já está na cara do gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alucinados e discretos, os alienados do computador tem sua parte na vida pulverizada das modinhas tontas e das coisas engraçadinhas. Cada vez mais comum encontrarmos a raridade que dá em tripudiações e livres adaptações do Mussum pedindo fiado no Bar do Mocó ou da dancinha livre-espontânea-vontade que neguinho inventou no sul do Tocantins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela coisa, mesmo que você ache bobo vai sorrir, mesmo que tente não ligar vai ser avisado. Vai parar na sua rede social, no churrasco entre amigos ou no boteco pós-jogo. Os caras da luz própria - que encontram gozo sabe-se lá como nessa do garimpo – são as estrelas do céu sem Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a imagem é de um dos panos do Bispo do Rosário. Vai tentar acompanhar esse aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-4497812863600627476?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/4497812863600627476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=4497812863600627476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4497812863600627476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/4497812863600627476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/03/pessoas-de-luz-prpria.html' title='Pessoas de luz própria'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_91MhM8BX_is/R_Dsay21lHI/AAAAAAAAAGg/2rSbXRfIfbY/s72-c/bispo+do+ros%C3%A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-7800534500335616561</id><published>2008-03-13T07:49:00.000-07:00</published><updated>2008-03-13T08:02:03.501-07:00</updated><title type='text'>Nada em 3 Atos</title><content type='html'>Buenas povo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto agora um curta que eu fiz há mais ou menos um ano. O projeto era inspirado na obra do Lourenço Mutarelli e ficou bem legal - e comprido, tem uns 20 minutos ao todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse post faz parte de uma tentativa minha de ilustrar um pouco mais o blog. Se vocês ainda não notaram, só tenho a foto do layout (minha camponesinha). Acho que só agora sinto que imagens e vídeos podem agragar valor ao blog - meus textos prometem continuar lonngos e contra o formato de meia lauda da maioria dos blogs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, farei melhorias no espaço fértil no futuro. Fiquem espertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu e bom filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: o curta teve de ser dividido em 3 partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS2: Agradeço ao Beto pela postagem no Youtube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte 1:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NN0Wx6IB--s&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NN0Wx6IB--s&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7UXLq_ElrQ4&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7UXLq_ElrQ4&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte 3:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/puuqA1zRHaM&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/puuqA1zRHaM&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-7800534500335616561?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/7800534500335616561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=7800534500335616561' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7800534500335616561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/7800534500335616561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/03/nada-em-3-atos.html' title='Nada em 3 Atos'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-1057080746477693825</id><published>2008-02-26T05:28:00.000-08:00</published><updated>2008-03-31T15:22:15.020-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estudos de campo'/><title type='text'>Um dia na feira</title><content type='html'>Alimentos, temperos, rodas, tampas de panela de pressão; nada como um dia na feira para comprar essas coisas tão essenciais a existência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A feira livre é um convite a distração e ao caos urbano. Como é cosmopolita a feira da minha rua: a entrada é dividida entre uma colônia japonesa do pastel e um agregado de ex-trabalhadores bóias frias, que desistiram de cortar cana para vender o caldo da mesma. Nas primeiras barracas vendem-se artigos de manutenção e tunning de carrinhos de feiras – tão solícitos às velhinhas e às domésticas. Os responsáveis por essas barracas são, em grande parte, torneiros mecânicos que perderam o emprego nos anos 80 no ABC e não conseguiram galgar a presidência da república ou nem ao menos chegaram ao sindicato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando nosso world tour temos as barracas de queijos, estas controladas por uma máfia de descendentes de italianos com direito a sotaque forte da Calábria e muita banha no braço das suas senhoras mães e esposas. Os descontos só são concedidos para quem prove que também remete a pátria da pizza e do spaggeti. Depois, vem a barraca dos temperos e estas, por se tratar de um terreno ainda deverás nebuloso para o cidadão brasileiro, são ocupadas por mulheres viúvas, que coabitam entre gatos e corvos; sim, são bruxas. Só podem ser bruxas ou ex-hippies que, por seqüelas ou crença ferrenha no movimento, ainda não desapegaram-se das vestimentas mambembes e da fala quase semiótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda temos as barracas do tão amáveis peixes de feira. Um domínio oriental por excelência. Não me pergunte de onde vem o gelo e como ele se mantém por mais de 6 horas de feira com sol escaldante, nem como os peixes da feira são grandes e, seu estoque, infinito. Agora se o papel jornal é o melhor lugar para se conservar um peixe com mais de 2 metros de envergadura ou como dentro de cada exemplar marinho ainda encontra-se água (ou gelo) de modo à peça ficar mais pesada; a isso eu não tenho resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao prato principal da feira livre: as frutas, os legumes, as verduras; as dúzias, as meia-dúzias, as pechinchas, ao leve-3-pague-2, ao deixa eu dar uma experimentada; por ai vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cores e a gritaria parecem não ter fim. Para onde se olhe, as pessoas querem chamar sua atenção com gritos e gesticulações. Feirantes videntes parecem interpretar pensamentos e, ora já embrulham o produto, ora viram-se para outros fregueses, como se você, em menos de 1 segundo, você já dissesse Não, obrigado; mesmo que o que você tinha em mente era perguntar o preço do quilo, ou onde ficava o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O profissional de feira, um tipo experiente, não perde tempo com clientes menores como eu ou você, eles querem as donas de casa com carrinhos volumosos ou velhinhas com bolsas de tamanho semelhante. Jovens, casais, office boys e pessoas em geral, só dão trabalho, pois insistem em pechinchar, em usar e abusar do sotaque paulista. O feirante, meus caros, não é bobo e tira todo mundo de letra, ele deve ter uma cota de vendas imaginária e por isso se não conseguir (ou perceber que não vai) vender nos 5 primeiros segundos de contato, passa a ignorar o mané que ulule na frente da sua barraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato que chama a atenção na organização desse micro espaço é a sua economia peculiar. Não estou falando do mercado de negócios entre empresas – B2B, nem mesmo do comércio formal de empresas com consumidores (seja por lojas próprias ou varejo), tampouco quero me referir ao comércio do mercado irregular, da pirataria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comerciante de feira tem uma política econômica que contempla a insana busca por descontos e, em muitos casos, a verborragia e a negociata funciona sim e se leva 4 pagando 2 – inda mais no fim de feira; não por acaso, o consumidor e o feirante, quando em sintonia, saem amigos só faltando um convite para jantar na casa do outro ou de tomar um chopinho numa hora dessas, devemos atentar para afinidades como torcer para o mesmo time da camiseta do feirante alvo, o que pode lhe render muitas vantagens econômicas e informações valiosíssimas, como Não vai na barraca do Anderson não, que tá tudo estragado. A economia do feirante é a de venda por escala, mas é quase impossível, ao gastar mais de R$10 numa barraca, não cair de amores e trocar algumas palavras entusiasmadas com o nosso tão retórico feirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto da localização da feira é fundamental para o seu sucesso. Já vi feiras em viadutos, embaixo de pontes, em rotatórias gigantes, em praças, em estacionamentos. Mas verdade seja dita: a feira de rua é um sucesso. Digo a feira que toma de assalto as ruas alheias da nossa cidade. A feira que tomba caixas e caixotes às 4 da manhã. A feira que desperta sutilmente os moradores da rua tomada às 6 com gritos de Olha’o tomate! Olha’o tomate!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob um olhar de um biólogo, os feirantes se reúnem tão rapidamente, de forma tão uniforme, que perecem ser urubus atraídos pela carne de um hipopótamo em estado de putrefação ou como formigas se lançam a caça de um bolo de casamento que acidentalmente acabara de cair próximo ao formigueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que por mais distante um do outro que os feirantes possam morar, eles se reúnem no mesmo local, na mesma hora e, após 10 minutos, dão fim aos seus caminhões. Na certa os escondem em estacionamentos secretos, em cumplicidade aos moradores que margeiam a feira. Como em filmes de ação, os feirantes sabem esconder caminhões, sujeira, armas, escravos bolivianos e cadáveres dos seus inimigos. Se você já viu o filme 60 Segundos, ainda não tem noção de quão dinâmica pode ser o processo de pilhagem e esconderijo de simples feirantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arriscar-se numa feira livre é conhecer o último resquício babilônico na cidade ou um convite para refrescar-se ao tomar um caldo de cana com limão, com gostinho de abacaxi, que pode vir a ser tamarindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-1057080746477693825?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/1057080746477693825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=1057080746477693825' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1057080746477693825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1057080746477693825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/02/um-dia-na-feira.html' title='Um dia na feira'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-8452963832734335454</id><published>2008-02-20T10:10:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T10:16:49.104-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia do dia-a-dia'/><title type='text'>Além do bem e do mal</title><content type='html'>&lt;p&gt;Noutro dia lembrei de quando as pessoas mais velhas me fitavam do alto e diziam Aê galerinha do mal. Tapinha nas gostas e afagos na cuca seguiam essas palavras quase que automaticamente. Eu sorria e falava para mim mesmo Eu não sou “do mal”. Nunca me permitia ser ouvido e pensava comigo mesmo, O que é ser do mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 10 anos, ser do mal era combater os Cavaleiros do Zodíaco ou ser o chefão final do jogo em que você perde 4 horas queimando seus dedos para alcançar e, em 5 minutos e muitas vidas e continues depois, te esmiralha e ri disso com a tarja Game Over piscando. Ser do mal era isso. Era ser da turma mais velha que tomava a quadra de jogar bola nos intervalos com o discurso de que Somos mais fortes e mais velhos (nessa ordem), vão jogar em outro lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui crescendo com alguns arquétipos sobre o que era mau e o que era bom. Cuspir no chão pode ser emocionante quando, aos 14, se aprende a extrair o próprio catarro dos pulmões, mas é mal; roubar a quadra do futebol da turma de 10 anos tem gosto de vingança, mas é mal; matar aula é mal; roubar balas nas docerias era emocionante, contudo mal, muito mal (depois quem vai pagar por isso?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você é mal. Que maldade. Quem já ouviu isso sempre titubeou entre um sorriso sarcástico indisfarçável e o remorso imediato por expor traços delinqüentes em público. O sentimento de culpa pode variar de acordo com o delito, por exemplo, se você atropela um sapo, de propósito, uma vez recriminado, a culpa pode de deixar até sem graça. No caso de atropelar uma senhora de idade a fim de ganhar dinheiro ou pontos para a próxima fase, desperta o mais maléfico dos semblantes em quem estiver segurando o joystick. Ser mal pode ser bom, ou mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outro dia mesmo, ouvi Como vai a Galerinha do Mal? O que responder? Agora me considero um homem regulado, pleno nas minhas escolhas, responsável pelas minhas atitudes. Pensei em algo como: Eu nunca fui "do mal", tio, eu não fumo crack. Talvez seja esse o tipo de resposta que eu sempre quis ter dado, mas nunca tive coragem, porque não sou da turma do mal. Os maus têm como índole a ousadia e a coragem, e é nessas horas que tais coisas aparecem mais nitidamente, na hora de responder com sarcasmo e sem respeito a um chiste – principalmente se for provocado por alguém mais velho, que inspire ordem e superioridade moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os melhores maus são aqueles que detonam com a velha guarda dos conceitos arcaicos. Não por acaso caem nas graças do povo e, com o tempo, invariavelmente, podem ser absorvidos pela sociedade, não como algo venal, mas como uma questão de atitude selvagem. Assim nos atraímos por rockstars, grafiteiros, pilotos de f1 malacos, e apresentadores polêmicos; no geral, artistas que vivem nos excessos. Normalmente quem desvia os costumes (para o lado mal) ganha com isso, ou morre de overdose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa parcela de pessoas, porém, é muito pequena. A ordem do mundo pode ser mantida pelas pessoas que são, e se conformam em ser, do bem. Aqueles que primam pelos bons costumes mandam no mundo, nas coisas, nas leis; enfim, ditam as regras. Eles podem até ter o seu lado mal, mas são muito mais benevolentes que malévolos. Digo isso porque imagino a mente do Nelson, dos Simpsons, um cara mau por natureza e caricatunização, em pessoas como o Kim Jong-Il, ditador (dono) da Coréia do Note ligando para o Mahmoud Ahmadijad presidente (proprietário) do Irã. Em uma ligação, eles podem acabar com o mundo, ou seja, são maus, mas poderiam ser ainda piores, ao passo de ainda manterem uma chama do bem nas suas devidas proporções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou da turma do bem, mas ser da turma do mal é muito ser do PCC, ser da al Qaeda ou ser usuário de drogas (?). Fumar crack é mal, atirar em policiais é muito mal, detonar dois arranha céus é quase o cúmulo da maldade. Ser mal deve vir com o indivíduo. Ser mal é uma questão de excesso de bondade a qual muitos são marginalizados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o bem e o mal, saio isento. Impossível não ter maldade, impraticável é ser bom o tempo inteiro. Só acho errado subjugar alguém, por mais que tente soar interessante, e fale ao léu: Como estão as coisas com a turma do mal? Quanta malandragem, quanta sagacidade. Somos maus, somos malandros, somos marginais. Eu não. Perdeu, playboy.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;PS: E as diferenças entre o mal e o mau? Acertei na gramática? Essas ficam para a próxima.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-8452963832734335454?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/8452963832734335454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=8452963832734335454' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8452963832734335454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8452963832734335454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/02/alm-do-bem-e-do-mal.html' title='Além do bem e do mal'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-5431326554860148578</id><published>2008-01-15T08:16:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T09:17:40.314-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cretinice de almoço'/><title type='text'>Eu sou um açaí</title><content type='html'>Chega no caixa e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi. Eu sou um açaí, com granola e banala fatiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prazer, eu sou o R$ 10,20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deu dez e vinte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu sou macho. Apesar de você pagar, eu não dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ãhn... Você aceita cartão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só débito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tique?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi. Tique, você pega?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia que se pagava tique. Achei que era algo que se adquiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim? Eu ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ganha? Você ganhou aonde, na guerra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Eu trabalho. Ganho do RH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde você trabalha deve ser uma guerra, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Você aceita tique?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga, posso passar um cheque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ta amassado? Eu aceito mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Não ta amassado, engraçadinho, você tem a maquininha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De passar? E existe máquina de passar cheque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não de preencher o cheque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, ó, se for para passar roupa tem uma lavanderia ali na rua de trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E caneta? preciso preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preencher o que? A barriga, com uma caneta ?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, o cheque, tenho que fazer um cheque de dez e vinte, senão não saio daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você vai fazer um cheque, trouxe uma impressora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem uma caneta ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho, um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preenche. Entrega:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi, quer que eu coloque o telefone atrás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse não é você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como não, sou eu sim, quer documento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa, eu reconheço um de vocês de longe, daqui do restaurante mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que? Você já me viu aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, você não disse que era um açaí, com granola e banana fatiada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-5431326554860148578?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/5431326554860148578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=5431326554860148578' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5431326554860148578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5431326554860148578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2008/01/eu-sou-um-aa.html' title='Eu sou um açaí'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-5446943550467398934</id><published>2007-12-19T11:17:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T12:53:00.231-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Interlúdios do Eu'/><title type='text'>Chave de ouro</title><content type='html'>Hoje de manhã me lembrei de como era o mês de dezembro há uns 10 anos, no tempo onde eu não trabalhava e não pegava recuperação no colégio. Antes eu agonizava para que dezembro corresse devagar e eu aprendesse tudo que não tinha estudado para passar de ano sem méritos, mas cantando vitória. Atualmente a reza é para que o mês voe até o natal e às festas. Férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legal mesmo era passar o mês inteiro sem fazer absolutamente nada, decorando a programação da Globo e do SBT, indo até a varanda para ver o por do sol, passeando com o cachorro. Sair nas ruas a esmo, como se para encontrar alguma coisa, alguma rua diferente, uma nova construção, eis uma coisa que eu gostava e nunca soube porque. Uma coisa que só era boa em dezembro, pois o clima ameno era mais convidativo que o de julho e ainda não tinha as viagens de janeiro. Dezembro é o mês do respiro, daquela brisa leve que bate antes da canoa virar na corredeira abaixo, antes do Coyote perceber que perdeu o solo e terá uma queda iminente assim que olhar para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa vertigem típica do último mês do ano, tão aguardado por causa do natal e tão lamentado por ser o mês da reflexão sobre o ano corrente, sempre me causou acidentes pitorescos. Como dizem os mais populares, para fechar o ano com chave de ouro eu sempre dei uma das minhas. Ano passado esqueci do presente de natal de quase toda minha família; no retrasado, na Austrália, agraciei minha ceia de natal com vinho de caixa e pizza Dominos; uma vez, na infância, abri o queixo na quina da mesa; no tempo dos primeiros passos e pedaladas, enfiei minha bochecha no guidão da bicicleta do meu irmão – o que me deixou com uma cicatriz redonda que até hoje parece que fui queimado a ferro. Minha primeira batida de carro foi em dezembro, meu primeiro grande porre (se eu me lembro) também. O mês também era a temporada para (re)colocar aparelhos na boca, tampão nos olhos (sim, eu já usei) e torcer os joelhos. Tudo que pode dar errado comigo, só dá errado no fim do ano – maldita chave de ouro que deixa seqüelas e atrasa minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim me encontro quase que a espera da contusão, da burrada, do gran finale. Digo melhor, eu nunca espero, pois o mês é de superação. Superação no trabalho por ter que fazer tudo apertado junto com as provas finais e superação na faculdade por ter que estudar, passar, trabalhar, viver, etc. Chega dezembro e tenho que teimar por frações de notas que me livraem de dependências e dores de cabeça no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mês eu já fiquei sem gasolina no meio da rua, sem dinheiro no restaurante, quebrei meus óculos, perdi viagens, perdi ônibus em plena chuva, perdi o limite do banco. Tudo isso um pouco comum, tudo isso um pouco surpreendente, mas nada me chocou tanto quando romper os ligamentos do meu pé direito ontem no futebol. Justo o direito! Justo em dezembro! Justo agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou triste, pois me encontro sozinho em casa sem fazer nada, como há 10 anos atrás. Hoje eu não posso sair pelas ruas com meu cachorro, mal posso ir até a varanda. Pior, tenho com meu pé enjaulado numa bota ortopédica por 3 semanas, um chorinho para quem quebra as pernas, mas para mim é a sentença de um ano novo diferente e com muita areia dentro da bota, coceiras, não dirigir, imobilidade, impossibilidade de surfar, impedimento de jogar bola e não vou fazer mais uma porção de coisas que precisam do pé direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os males que me assombram em dezembro, nenhum se arrastou até o ano seguinte. Dessa vez vai ser diferente, talvez seja só drama mesmo, talvez eu (que nunca me fraturei) possa estar reclamando de pouco. Tenho motivos para acreditar que é pura zica, azar, mandinga. Ano que vem eu serei eleito a personalidade do ano pela Time ou ganhe algum festival do You Tube e quando me perguntarem da onde veio toda a motivação para que meu ano fosse tão brilhante, eu só vou dizer que resolvi mudar depois de passar a manhã no hospital com o ligamento rasgado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-5446943550467398934?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/5446943550467398934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=5446943550467398934' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5446943550467398934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5446943550467398934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/12/chave-de-ouro.html' title='Chave de ouro'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-8790845699607203567</id><published>2007-12-05T12:31:00.000-08:00</published><updated>2007-12-05T17:31:28.782-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='(curtos) Contos fantástcos'/><title type='text'>O natal do menino avestruz</title><content type='html'>Eis o menino avestruz dobrando a esquina com seu passo largo e desregulado. Eis o frio do inverno da tv americana que bate e arrepia os cangotes torrados dos brasileiros; chaminés, renas e neve compõem o natal do menino avestruz, o menino que tudo come, o menino que do seu nome cavou a cabeça no chão para fugir do que não quer ver e escapar do frio da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem conhece o menino avestruz sabe bem das suas poucas qualidades, entre as quais destaca-se a capacidade de não voar, a de não ser belo e a de comer tudo, daí o nome de avestruz. Outro dia mesmo, vi o menino avestruz comendo um resto de cachorro quente que estava na sarjeta há uns dias, talvez semanas. Teve outra feita que presenciei o menino avestruz roubando o elastiquinho do cabelo da menina e engoliu como se fosse uma lula a dore dos capilares tão oleosos da sua vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contaram histórias fantásticas ao pequeno menino avestruz, o menino que tem no seu nome a capacidade de enterrar a cuca e cegar os problemas. Disseram que há 2.000 anos atrás uma quadrilha de ladrões que roubava drogas, armas e eletrodomésticos, com medo de ser pega no flagrante, descarregou tudo numa casinha de um homem simples que viva com sua mulher também simples. Eles tinham acabado de ganhar uma boca extra na casa, a mulher simples tinha parido um naquela noite. Noite ainda sem renas, nem neve, nem trenó, pois a televisão ainda não existia por ali. Foi numa noite como todas as noites. Uma noite em que a família simples interceptou carga roubada, mas consideraram presente; afinal, a quadrilha era do mesmo morro e todos se conheciam muito bem há 2.000 anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tocado por esta anedota, o menino avestruz, que enterrava a cabeça para não ver, mas deixava o corpo para apanhar, sempre ficava de braços para o alto enquanto dormia. Desde que ouviu o conto ele dormia meio torto. Noite após noite queria nascer de novo para receber a carga roubada, sem prestações, sem reclame, sem caixas e sem cadastro em lojas. O menino avestruz, que era um saco sem fundo, prometeu para si mesmo que, se viesse a receber tantos presentes dos reis do tráfico, não iria come-los. Iria deixar lá, só para decorar e falar que são dele agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, o menino avestruz, que não vê o mundo, pois enterra a cabeça quando atiçado, seria feliz. Feliz porque aconteceu com ele o que só acontecia nas histórias faladas, nas histórias que mudam de boca em boca e, mesmo tentando ser iguais, chegam diferentes para os ouvidos dos meninos como o menino avestruz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-8790845699607203567?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/8790845699607203567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=8790845699607203567' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8790845699607203567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8790845699607203567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/12/o-natal-do-menino-avestruz.html' title='O natal do menino avestruz'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-2309537542663927157</id><published>2007-11-27T10:44:00.000-08:00</published><updated>2007-11-27T10:50:08.191-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horas de agonia'/><title type='text'>Esperando pelo homem</title><content type='html'>Chego lá para esperar pelo homem. Ele disse que vinha. Eu sei que ele vem e, enquanto não vem, fico esperando ele chegar. Vou e pego uns livros, revistas e artigos para folhar, ver e ler nas entrelinhas – só para ficar sabendo o mais raso de cada assunto, só para falar que sei o que não sei, mas tenho propriedade. Falo bem e não cito referência nem fonte, falo bem para falar como se a origem fosse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não chegou ainda, marquei para as 20h, já são 20 e 30. Normalmente ele dá uma atrasada, charme puro, catimba. O homem é boleiro, gosta de uma cera, é chegado a um confete quando está com a bola toda. Só que até agora ele não tem pelota nenhuma de vantagem. Espero o homem que não chega e me é igual, só que não chegou ainda, começo a pensar em sair dali e dar ao homem o que ele não merece, um cano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não merece um furo, pois eu já fui o homem que nunca chegou, já deitei e rolei no gramado para ganhar tempo, para comer bola. De propósito já lhe fiz mal. Na cara dura já atrasei meia hora, uma hora, duas horas. Só falo que eu sempre fui: atrasado sim, ausente nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao final da primeira leva de revistas, das gringas e das boas, só que antigas dem&lt;br /&gt;ais. Cara de anos 90, assim já manjo tudo. Já vivi os anos noventa, eu me lembro muito bem. As revistas velhas tinham o problema de não terem sua continuidade atual, a safra que peguei ia de 93 a 99, se fosse vinho ou whisk, ok; mas era revista – e revista, assim como mulher, anos 90 não dá. Ainda não dá, talvez. Quem sabe nos anos 2010 tudo dê; as revistas por serem vintage e as mulheres por serem semi-deusas recém saídas do forno da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora dobra para as 21h e o homem nem deu sinal ainda. Não resisto e ligo, uma vez. Sem resposta. Ligar para o atrasado pode ser perigoso, pois o atraso pode ter um motivo, uma causa nobre que não vale uma ligação suja do colega que não soube ser amigo e esperar com paciência – adjetivo que não me tomava na plenitude naquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego aos anuários. Benditos fólios de curadoria gringa também. Estes mais bicudos, mais gordos e inspiradores. Anuários são a droga do eclético, a regra de três do preguiçoso. Mesmo assim são recheados de coisas vermes, como se diz no Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anuário delícia me sugou por minutos preciosos. Devorei não um, mas dois do mesmo jeito que a raposa rasga e se empanturra do cordeirinho mirrado. Quero sobremesa, tenho fome. Mata o homem e come, diria a coroa. O homem não chegou, pego um copo d’água para disfarçar a fome e voltar ao resto de revistas. Vem a publicação de moda, moderninha, metida e enfadonha. Quase 500 páginas de futilidades típicas de quem é de Nova York. Senti falta da raça do anuário, por um momento, cheguei a pensar em pegar mais revistas dos anos 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como um anúncio, ouço o descer de escadas de alguém. Poderia ser o homem? Seu passo já me é conhecido, seu balançar de pernas não me engana. O som começa a ficar mais próximo, juro que ele está chegando. Faço meia careta, meia cara de alívio. Ele, enfim, veio para me ajudar. Não era o homem. Guinou a passada no andar de cima, ironizando meu faro auditivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem ainda não veio, acabou a leitura, começo a me preocupar. Digo chega e ligo de novo, nada. Agora ele só pode estar querendo uma comigo. Armo o castigo, vou para o boteco, vou enrolar e chegar atrasado com sorriso cevado, cara lavada. Vou dar um chapéu no homem que ele vai ver só. É isso mesmo, minha vez de enrolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já logo na saída, sem mais e sem menos lá ele está. O homem. O homem que me enrolou, sorrindo todo prosa como se estivesse me fazendo de fantoche. Acabei de chegar, disse e me cumprimentou. Não disse nada, não consegui expressar minha raiva, meu plano se frustrou, a minha espera só funcionou porque resolvi esquecer de esperar e lá veio ele, estragando tudo. Cheio de nove horas ele ainda me perguntou se eu estava indo embora, eu disse: não, tava só esperando pelo homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-2309537542663927157?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/2309537542663927157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=2309537542663927157' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2309537542663927157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2309537542663927157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/11/esperando-pelo-homem.html' title='Esperando pelo homem'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-2350300871799224827</id><published>2007-11-14T12:14:00.000-08:00</published><updated>2007-11-18T16:21:26.906-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casos de vitória'/><title type='text'>Como planejei minha vida.</title><content type='html'>Nunca entrei na modinha dos blogs, mas não deu para resistir ao ver a minha amiga Mari respondendo um questionário arriscado para uma big agência. Eu também gosto de agências imponentes e fibrosas. Adoraria integrar agências inteligentes e capazes. Agências ferozes, que dominam o reino animal da publicidade (a profissão mais afeiçoada às cobras que as lebres). No caso, a agência, trata-se da J.W.T., um leopardo das savanas rasteiras, que não tem medo de búfalo nem de rinoceronte e devora uma gazela como uma criança destrói um frutili.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sigla JWT assusta quem conhece e quem não conhece a arte da propaganda. Falei com minha mãe, que é professora: Filho! Que bom, você vai entrar numa farmacêutica, não é? Não mãe. Ah! Então é uma daquelas empresas que vendem aço e ganham bilhões por ano, compram umas as outras e exploram milhões de pobres em paises como Bangladesh. Que bom, você vai ser rico. Antes fosse mamuxa, é uma agência de publicidade, só que uma das grandes; sabe como é que é, quando a coisa é grande é melhor do que quando é pequena, pense em televisão, quarto de hotel e brinde de promoção, maior melhor. Ela teve que concordar agência grande, sorriso grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o apoio materno restou apenas eu mover meus dedos fatigados de tanto sambarem pelos teclados do meu computador aqui no escritório – e adivinhe, é uma agência! A Thompson (o T da poderosa tríade) quer saber como eu sou, dessa forma tive duas opções ou me apresento formalmente ou crio um personagem absolutamente fictício, meu seft made sucess case. Dou o start num pseudônimo de sucesso, oposto ao seu gênio terreno, um caractere que trilha para o brilhantismo e para as cadeiras dos Chairs Man – mas não para sentar no colo deles, faça-me o favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para me conhecer, concluí eu após um devaneio junto aos meus botões, eles podem checar esse blog tão trabalhado. Tão fértil. Tão leitoso. Tão santo, tão líquido, tão volátil. Ele já diz muito sobre mim. Assim sobra espaço para que conheçam meu alter ego: João Galante. Um homem de sucesso e virtudes inumeráveis, um homem que toda mãe gostaria de ter como genro, ele e o Rei Roberto. Um homem que move multidões. Um homem que ainda está para baixar no corpo que escreveu essas linhas. Um homem para se ver no futuro, mas, se a vaga é para daqui a um mês, falem com o Santoliquido mesmo, ele dá para o gasto. Ele gosta de novelas, gosta de escrever textos longos, textos que hão de ser compilados e lançados numa edição da Cosac &amp;amp; Naify quando ele se for, textos que ainda vão fazer a diferença. Ele joga futebol também, mas escreve com maestria e não consegue falar dele mesmo na primeira pessoa – eis um sinal de sua modéstia incomparável, da sua incrível diplomacia com o interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você, que ainda corre os olhos sobre esse texto, vai se perguntar, não seria Renato um criativo perdido na vida, um errante virtual? Não seria Renato um demente para o planejamento, uma pessoa assaz irresponsável para a visão holística de problemas, um menino fanfarrão, um pequeno burguês, que nada quer com a vida e não preza pelo seu destino? Qual será a sina de Renato? O limbo, o não-destino, o ponto neutro, a estação do vazio ou o metro Vila Madalena? Onde ele vai? Onde ele quer chegar com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planejar, para Renato, ó leitor tão especulante, é trabalho antes de tudo. Seu pai marcou bem isso, disse: Filho, quando te criei, eu acordei com o pé inchado e tive que começar a planejar após essa data. Sabes quantas fraudas eu comprava de antemão nas noites em que comias banana amassada com farinha Láctea? Não papi, quantas? Primeiro foi um par, depois foram dez, após 2 meses descobri que apenas 6 eram necessárias, elaborei cronogramas, fiz planilhas a mão e colocava o despertador para 5 minutos antes do seu já tão choroso e irritante berrar borrado no meio da madrugada, 6 vezes por noite. Uau, papai, então eu devia ser bem chato. É filho, você era, você nem começou a andar e já me amolavas, porém eu planejei e tive seu irmão, este foi planejado, este Será direito, um bom. Este eu não botei para tocar violino quando completou 3, com este eu não fui ao show do Legião no aniversário de 5. Este vai ser algo na vida, já planejei, será engenheiro, não publicitário, ô profissãozinha menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu pai, eu trabalho em um escritório de consultoria de marketing, o prêmio mais nobre para quem faz comunicação social.O pai de Renato não acredita, mas seu filho é um grande planejador. Ele já inventou peripécias diversas e engabelações quase infinitas para furtar o carro da família, já foi capaz de malabarismos mil para descolar aquela grana de final de semana. Você quer alguma justificativa escolar? Quer pleitear notas, faltas, atrasos, multas de carro? Renato consegue. Improviso, malandragem, corrupção? Claro que não! Planejamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cito logo um exemplo: Renato quer morar sozinho e não sabe como, não tem dinheiro nem estadia, elabora um plano de conhecer pessoas que tenham um dos dois, ou relaciona a instabilidade mundial com a sua necessidade de dinheiro iminente para aplicar em títulos arriscadíssimos de uma companhia norueguesa de imóveis. Renato já viu tudo, ledo leitor, ele já se posicionou antes das grandes. Baseando-se no superaquecimento terrestre e nas guerras que pipocam dia a dia como espinhas em adolescente, ele sabe que, mais dia menos dia o gelo derrete e tudo ficará uns 5 graus mais quente, o inverno vai para o saco e o verão eleva-se ao quadrado. Quem mora em praias, resorts, paraísos fiscais e outros territórios de baixa altitude terão que mexer suas bundas e ir morar em outros lugares. Como a economia mundial vai naufragar com isso, Renato pensou (planejou) comprar ações de um país de estabilidade sólida como o gelo, dura como a rocha – a Noruega, um lugar com altas tendências de não perder nada com o degelo. As altas altitudes e a população litorânea em 2% farão da Noruega uma nova China nos anos próximos. Renato acertará e terá uma casa bem grande, com direito a ar condicionado turbinado e piscina com churrasqueira para as tardes de outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, concluo esse relato. Um case de sucesso, um elogio ao brilhantismo. Você, que leu e prestou atenção em tudo, vai ver que Renato é um candidato forte. Um ser com planejamento na veia e que, mesmo entrando atrasado, vai ganhar essa corrida, que faz parte do decátlon da vida humana, onde só os fortes prevalecem e podem ter seus textos publicados pela Cosac depois de mortos. Ele chega lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-2350300871799224827?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/2350300871799224827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=2350300871799224827' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2350300871799224827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2350300871799224827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/11/como-planejei-minha-vida.html' title='Como planejei minha vida.'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-3719874800041900727</id><published>2007-11-02T06:35:00.000-07:00</published><updated>2007-11-02T06:36:29.191-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Horror existencial'/><title type='text'>O Gato e o Nada</title><content type='html'>Havia, há muito tempo, um gato que não tinha amigos. Também não tinha inimigos, nem pulgas. Não recebia carinho, nem era xingado. Nenhum cão jamais latiu para ele; o gato nunca correu atrás de um rato, tampouco afugentou uma pomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tomou leite, nem se lambeu. Nunca morou no telhado, nem comeu todas as gatinhas. Bigode – ao menos – ele tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha também pelos negros e olhos esquivos e verdes. Suas garras eram finas e compridas. Não aprendeu a miar, não sabe eriçar os pelos e não faz sua higiene numa caixa de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita o gato estava rodando seu habitat, uma casa – vazia. Uma casa sem mobília e só paredes, nem portas a casa tinha. Da pintura pouco sobrara, o telhado estava rachado e as infiltrações encobriam o cheiro de capim do jardim. Muito mofo e vazio. A escada estava rompida no meio do caminho, o mofo a fez desmoronar; bastou o gato atingir o terceiro e último degrau para receber uma bola de ferro da demolidora – enfim ele ganhou alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-3719874800041900727?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/3719874800041900727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=3719874800041900727' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3719874800041900727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3719874800041900727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/11/o-gato-e-o-nada.html' title='O Gato e o Nada'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-1364966260075961939</id><published>2007-10-29T17:09:00.000-07:00</published><updated>2007-10-30T05:51:21.841-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vocativos folclóricos'/><title type='text'>Drible da vaca</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Drible da vaca é assim: bola de um lado, zagueiro cara de boi no meio, e atacante voador do outro. Tocou, passou; quem resolveu ficar olhando viu navios. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;De Brasil esse drible tem parentesco adotivo. Sábios são os corajosos toureiros espanhóis que trocam a bola pelo pano e o vôo pela altivez de ver o boi chifrudo passar lotado, rumo ao delírio da platéia.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Zagueiro que zanga, faz falta. Dá empurrão, deixa a perna. Toma amarelo e fica tudo em casa. Se bobear de cair na área, o drible fica mais salgado para o cara de boi engolir, olé!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Agora vá me cair numa das zanganças do chifrudo! Esse aí não perdoa e finca ódio. Toureiro toureado fica pior que zagueiro vazado, a estrela perde o brio e o boi chifrudo saí vencedor sem vencer, fica querido sem querer. Na tourada, o touro bate penalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina, se pensas que és muralha, um drible da vaca lhe dou. Sou flecha de ventos, minhas pernas são de grilo e meu corpo baila suave como o peixe.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Chifrudo, se queres meu fim, que venha com graça, pois se pensas em atropelar razão e sentimento vai ser pano na cabeça. De esquina te saco, na reta ataco. Finda sua corrida, minha calçada da fama.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Cara de boi morto, cara de vaca chifruda. Sou vaqueiro, sou toureiro. Sou atacante brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-1364966260075961939?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/1364966260075961939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=1364966260075961939' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1364966260075961939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/1364966260075961939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/10/drible-da-vaca.html' title='Drible da vaca'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-8678652554341427825</id><published>2007-10-22T08:48:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T08:56:27.702-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Interlúdios do Eu'/><title type='text'>A pior parte de mim</title><content type='html'>Modéstia e banhas a parte, tenho apenas um defeito incorrigível. Uma parte de mim é torta aos meus olhos. Feia mesmo, um desastre. Coisa mais grave é quando eu comecei a achar isso uma coisa errada – mesmo nos outros. Costumo condenar os pés de amigos e desconhecidos. Eu mal consigo conviver com o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os desvios de caráter, canastrice ou má formação educativa que eu possa ter, nada se compara ao fado de ter um pé tão feio, tão incorrigível. Meu pé é minha janela para o inferno. Falo isso, pois mudo com o tempo. Um dia, quem sabe, possa eu me tornar uma pessoa mais doce, verdadeira. Um dia eu hei de ser meigo, mas meu pé não! Meu pé tende a ser cada vez mais feio. É a ciência natural dessas coisas; quando você ainda engatinha, seus pés são macios, um travesseirinho; é só começar a calçar chuteiras e os pés ficam deformados, as unhas crescem anamorficamente. Tudo vai para o vinagre. Você já viu um pé de velho? É a coisa mais feia do mundo. Não tem solução, o que a idade acrescenta em virtudes e experiência, ela mazela nos pés, orelhas e nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo ver beneficio amoroso nenhum naqueles que por vício, tara, paixão ou doença, tem o prazer de beijar, lamber, acariciar os pés da pessoa amada. Isso é um ato nefasto, para não dizer jocoso. É um nojo só venerar a parte mais castigada do nosso corpo. O pé passa o dia dentro de meias e/ou sapatos; ele tem como função sustentar o nosso corpo, dar equilíbrio e suportar as topadas mais imbecis. O pé é, antes de tudo, um forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carapuça pedóloga, sua derme e epiderme são imperfeitas. Acho que Deus encarregou seu estagiário de projetar os pés de Adão e Eva. Em suma, o pé é um rascunho da mão, cuja adaptação aos membros inferiores teve que chapar sua palma e encolher os dedos para que estes se parecessem mais com pequenos modelos de pães – dedão é um pão de queijo, os 3 do meio são pães franceses e o dedinho é um elogio a baguete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó parte absurda de mim! Como és feio, como és perpétuo! Meu pé me assusta. O pé dos outros me dá medo. Um medo que se esconde em razão de ambientes e temperatura. O pé é o sinônimo da imperfeição da estirpe humana. O pé é o começo do fim, a raiz dos males terrenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-8678652554341427825?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/8678652554341427825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=8678652554341427825' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8678652554341427825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8678652554341427825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/10/pior-parte-de-mim.html' title='A pior parte de mim'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-2504103962932707414</id><published>2007-10-07T14:56:00.001-07:00</published><updated>2007-10-30T07:08:37.954-07:00</updated><title type='text'>Alguns filmes</title><content type='html'>Olá, estimado leitor assíduo desse tão irregular blog,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora você pode aumentar a carga de pedras que costumas atirar na minha pessoa. Fiz uma lista de filme essenciais. Pretensioso, eu? talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um filtro, não coloquei nenhuma classificação por importância, pois os filmes são essenciais. Sugiro que alugues todos no mesmo fim de semana se dedique a vê-los o mais rápido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos ainda hão de entrar. Fiz essa lista rapidamente, assim com um pouco de desdém e um quê de vontade de impor um cânone cinematográfico para mim mesmo e para você, nobre leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acha? Compartilhe, a lista fica aqui na lateral direita, só rolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-2504103962932707414?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/2504103962932707414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=2504103962932707414' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2504103962932707414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2504103962932707414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/10/alguns-filmes.html' title='Alguns filmes'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-6783128775806675971</id><published>2007-10-07T14:42:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T14:43:37.365-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='(curtos) Contos fantástcos'/><title type='text'>A ponto de bala</title><content type='html'>Lá estava ele, a ponto de bala. Não queria mais nada com ninguém, não devia nada. Não queria mais ouvir ou falar com ninguém. O que aconteceu? Estava cheio, cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desassossego tomou seu corpo desde a manhã. O dia se perdeu e ele não sabia por quê. Passado, presente e futuro, ele não queria mais nada com nada. Não permaneceu imóvel, nem pensou em dar cabo da própria vida. Apenas estava cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por milhares de coisas que rondassem sua cabeça no momento, nada poderia alegrá-lo. Não queria novos amigos, novos amores, novas emoções. Não queria nada de novo, mas também rejeitava o velho. Culpara tudo o que passou e não acreditava que o que está por vir vai melhorar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria inovar mais uma vez, ao passo desses tempos em a renovação virou sinônimo de respiração. Sentiu sua cabeça cheia de coisas, mas vazia de vida. Como um aquário sem peixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem paciência. Não quis mais enxergar, não quis mais ler. Parou de aprender. Ele, uma pessoa tão radiante, de futuro marcado. Uma pessoa que teria tudo para seguir um caminho brilhante, parou. Não quis voltar, parou de andar para frente sem a preocupação de trilhar um rumo alternativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não quis ver o que estava a sua frente, ficou lá apenas para esperar o que viria acontecer.&lt;br /&gt;Quantas vezes quis que tudo acabasse subitamente! Como um homem barrado durante sua corrida, quis ser derrubado. Clamava pelo mundo que outrora o estimava para que este o erradicasse. Queria sumir. Pura e simplesmente desligar-se de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a ponto de bala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-6783128775806675971?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/6783128775806675971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=6783128775806675971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6783128775806675971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/6783128775806675971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/10/ponto-de-bala.html' title='A ponto de bala'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-245211647019837890</id><published>2007-09-24T20:25:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T20:36:05.689-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Decepções cotidianas'/><title type='text'>Sobre escrever certo em linhas curtas.</title><content type='html'>Minhas primeiras lembranças sobre viagens de ônibus datam de uns 10 anos atrás. Não me refiro aos ônibus escolares e a corja de pirralhos que promovia fanfarras mil nas excursões tão indispensáveis na formação de qualquer garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de pegar ônibus para ir ao inglês, para ir ao shopping ou para ir até a casa de um amigo que morava na frente de um ponto de ônibus. Para mim, só existiam duas linhas: uma que ia à Faria Lima e outra que ia até o fim do mundo – mas o máximo que eu atingia era a Rua da Consolação. As outras linhas eram selvagens demais e os nomes estampados na frente dos veículos continuam sendo lugares místicos inventados por um redator da prefeitura, ou da CET (quem decide que um bairro irá chamar Jardim Colombo? Essas teorias hão de merecer um texto próprio no futuro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, selvagem ou não, os coletivos sempre foram um lugar para a leitura. Quem gostava de ler não tinha medo de solavancos, curvas fechadas, excesso de passageiros e nem mesmo de pessoas obesas que insistem dividir o acento. Dentro do ônibus lembro de muitos leitores de jornal e também de muitos afanadores de caderno que, com um jeito maroto, pediam para ler tal seção do colega pagante pelo diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos foram passando e os leitores foram desaparecendo. Há várias explicações possíveis para tal acontecimento: os leitores enriqueceram e hoje só usam carros é a menos provável delas. Acredito que os leitores não são tão apegados ao jornal tradicional, talvez por falta de tempo para ler aquelas reportagens enormes sobre o corte da Selic, talvez pela falta de conhecimento de mercado que os jornais apresentam até hoje. A crise dos jornais está aí. Muitos foram comprados, outros começaram a vender fofocas e outros a criá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia é muito mais comum ver o povo lendo os tablóides modernos que lhes são distribuídos gratuitamente nos principais pontos de embarque da malha dos transportes públicos de São Paulo: estações de metro e de trem, terminais de ônibus e corredores importantes. Como uma blitz, os jornais que não chegam a ter umas 20 páginas são depositados nas mãos de quem estiver por perto. O conteúdo deles não é, digamos, abrangente. É incrível, passa-se um apanhado de notícias em poucas e pequenas páginas com fotos grandes. De política a esportes, os tablóides impressionam na sua fama ascendente, na brevidade ao tratar de temas que merecem devem ser aprofundados para sua (total) compreensão e na falta de credibilidade. Não estou dizendo que os novos jornais de rua são populistas, apenas são rasos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser raso pode até ser o que os editores dessas novas publicações tenham como intenção. Falar pouco, por falta de tempo, mas falar de tudo, para atender a demanda diária de informações é o que eles querem (?), depois quem se interessou por uma notícia em especial que procure saber mais sobre ela. A teoria é bacana, mas fico em dúvida: isso é bom ou ruim? Vale informar uma pessoa com um hiper-condensado de notícias? Vale ser profundo e continuar no formato usual de jornais grandes dobrados sob nossas axilas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns meses convivendo com os mini-jornais pude perceber o quão disponíveis eles são para a publicidade em geral. Conclui-se que o que é cobrado por eles deve ser realmente mais barato que a sua concorrência de produto – o jornal tradicional -, afinal muitos anunciantes de pequeno e médio porte conseguem anúncios consideravelmente significantes se comparados ao tamanho da publicação, a verba desses anunciantes e ao publico atingido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me atormenta é a volatilidade dessa verba publicitária em tempos de eleições, por exemplo. Sem outdoors e com as panfletagens a vista da lei, os políticos tendem a focar suas verbas (nem sempre curtas) em propaganda para mídias antes nunca exploradas, como os tablóides. Minhas manhãs serão piores quando eu tiver o desprazer de folhar um tablóide recheado de caras, números e cores primárias de partidos que me dão náusea. Ainda tenho imaginação para relacionar um editorial fraco com verbas partidárias fortes, o que não só sujaria o espaço dos anúncios como também poderia micar as curtas linhas de notícias que esses tablóides oferecem de graça a sociedade da pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao fato da cobertura, é parte da teoria da comunicação que nunca se pode retransmitir um fato em sua total veracidade. Isso pode ser um argumento em defesa de qualquer publisher, mas requer atenção. Muitos jornais tiveram que dar o braço a torcer e encurtaram a carga intelectual de suas noticias e virou mais “povão”, ou seja, dar ao povo o que ele quer sem exigir muito raciocínio. Ao fazer isso, um jornal está assinando sua carta de suicídio, sua credibilidade jamais voltará a ser a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, deve-se ser flexível ao aportar a tradição sem ser chato. Os jornais de formatos clássicos estão em derrocada. Temo pelo seu grande patrimônio: os editoriais. A diferença de um jornal grande é seu editorial; por trás de um jornal grande está uma fundação, um conjunto de pessoas que zela pelo seu conteúdo impresso e preza pelo consumidor que paga por aquilo que acha que lhe é relevante. Panfletar um jornal novo, sem muita credibilidade e com um formato que nunca fez por merecer esse adjetivo é uma mecânica boa para informar ou manipular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o foda do jornal ser grande é que ninguém terá tempo para ler tudo, reduzir o tamanho das notícias é uma saída tola, um erro grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitar a inteligência da população é mais valioso que educá-la a ler em dois parágrafos o que necessita de 4 colunas para ser explicado. Tentar concentrar todas as notícias de uma vez só, é o mesmo que matar mosca a tiro de espingarda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-245211647019837890?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/245211647019837890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=245211647019837890' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/245211647019837890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/245211647019837890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/sobre-escrever-certo-em-linhas-curtas.html' title='Sobre escrever certo em linhas curtas.'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-8305011334366760202</id><published>2007-09-16T14:48:00.000-07:00</published><updated>2007-11-03T16:35:10.469-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Anotações Surreais da Realidade'/><title type='text'>Duelos sentimentais</title><content type='html'>A calmaria de uma tarde se espalhou por todo o corpo minutos após a refeição. Todo domingo era mais ou menos igual àquele, a reviravolta estava próxima e seria cada vez mais inevitável.&lt;br /&gt;Deu-se o tempo de trinta minutos e os carboidratos absorvidos já haviam sido sintetizados e emanavam energia de sobra, os sentimentos transbordaram a injeção dada pelos carboidratos e foi dada a largada para dissipar o montante de energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou pela visão, a televisão já não estava muito agradável: o futebol xoxo demais, o programa do Gugu era um museu da burrice nacional, nos canais de filmes só reprises de segunda, desenhos infantis não são mais os mesmos há anos e o efeito da MTV não detém mais a atenção. Deu-se aí um gosto peculiar pelo observar do poente pela varanda – a primeira grande luta; o tato entra em cena. O friozinho do vento despertou uma vontade imensa de sair à rua para andar, correr, suar, lavar e descansar. Ao mesmo tempo a visão tentava confortar-se na breve apreciação e, aliada da lembrança, fez uma tradicional manobra de recusar a ação às vias do manto nostálgico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apegada ao poder da primeira imagem e não tão treinada a uma profunda interpretação e aprendizado, a visão foi iludida pela lembrança – uma espécie de Pandora desse jogo -, um filme resgatado do místico labirinto das memórias foi ativado e retratava uma tarde igual na qual andar de skate foi certamente a melhor pedida do dia. Vitória momentânea para o tato. Skate em baixo dos braços e muitas ladeiras pela frente. Não seria assim tão fácil, os outros sentimentos deveriam conceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ala da audição estava submissa a visão e a sua livre escolha de canais de televisão e reivindicou um incentivador a aventura iminente – Ipod. Atendido, o problema foi a escolha; o conselho da audição é formado por inumeráveis membros e nunca conseguem firmar um pacto comum. Absolutamente populistas, primam pelo poder de afogar a oposição quando certo gênero ou artista cai no gosto popular, ou seja, entra em harmonia com o resto do corpo. O conselho começou a crescer geometricamente com a MTV, ganhou maturidade pelo Napster e atingiu uma espécie de “Democracia Corintiana” por meio da necessidade mercadológica Ipod 30 Gigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ipod na mão esquerda, skate no braço direito e uma bomba começou a ecoar pelo quarto: o celular. A audição e o tato ficam desbaratinados, pois estavam em reunião particular sobre qual som proporcionaria mais adrenalina e vontade de andar de skate. Celular berrando no quarto, atender a chamada virou urgência; o Ipod voltou à escrivaninha e o skate deitou-se no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa foi breve e imprescindível para os contornos do duelo sentimental pela dispersão das energias. Outrem a quem o corpo sentia uma atração especial ligou, conversou e, antes de desligar, marcou um café de fim de tarde. O corpo tinha uma hora para estar no local. A lembrança pregou uma peça e com agentes amorosos que iam do tesão ao amor platônico tão logo convenceu o tato e a audição que andar de skate era bom, mas uns amassos eram melhor e ouvir Ska chegou a ser a melhor coisa para se ouvir até o momento em que a voz d’outro corpo repercutiu ruidosamente pelos amplificadores do celular. Por um momento, toda a tarde pareceu uma tolice e a ligação chegou a ser nomeada como divisora de águas do &lt;em&gt;momentum.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prudência e a virtude, dois espíritos que controlam o vai-vém sentimental, alertaram que o passeio da tarde seria impossível mediante ao tempo que o corpo teria de diversão, estimado em vinte minutos, os outros quarenta estariam divididos em transporte, banho e escolha de trajes para o encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tato desanimou na hora, visto que tal sentimento tem predileção por emoções mais duradouras e não cansa fácil. Ao ouvir isso, o conselho auditivo optou por uma música mais tranqüila – o conselho auditivo e o Ipod têm uma relação estreita e, uma vez com o aparelho por perto, escuta-lo é quase uma obrigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão voltou com tudo e sugeriu uma leitura ou a volta à caixa televisiva para acompanhar o futebol, que a essa altura, deveria estar mais empolgante. O paladar tentou desviar a atenção geral e sugeriu um sorvete, mas foi logo isolado da arena, pois fora ele quem determinou qual o café e, sem muita luta, poderá desfrutar de uns beijinhos durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fóruns políticos das vontades, a preguiça tomou o microfone e, com o paladar no bolso, anunciou meia hora de gamorra e contenção dos carboidratos das energias, para que fossem utilizados mais sabiamente durante a noite. O consenso era quase certo, mas a lembrança pregou uma peça em todos ao lembrar de um trabalho chato que deveria ser entregue segunda de manhã, a discussão voltou a se acalorar quando a moral e o caráter alertaram para o futuro profissional do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas discussões dos fóruns políticos das vontades quase nunca afetam diretamente os rumos que os sentidos tomam, diga-se que o corpo em questão é deverás mal formado e as sínteses do cérebro levaram a formação de uma nação imediatista e pouco preocupada com o futuro, com a saúde, em dormir cedo e a ter disciplina. Nesse corpo, a moral é partido nanico e o caráter, mesmo tendo altíssimo valor, é quase sempre atropelado pelas vontades do chamado baixio hiperativo dos sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicagem de lado, a visão conseguiu uma revista Veja para folhar, a audição escutava Bob Dylan, o paladar bebia água confortável, o tato se confinou ao tique de perna e o oufato estava em coma devido ao nariz entupido. Os minutos correram da Veja à Veja São Paulo. Pausas para ler os negritos e os olhos das páginas, dez minutos se foram como uma trégua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpos familiares em formação genética começaram a querer roubar a atenção do nosso corpo-nação e a guerra foi sendo acalmada pelo fato de as respostas, para saírem automáticas, deveriam contar com as alas mais extremistas dos sentimentos sedadas, para não dispersar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o tempo correu e a visão perdeu mais tempo tentando convencer o tato de que o jeans 38 era muito mais agradável mesmo com o corpo calçar 40 e a audição relutou mais perdeu o direito de ouvir músicas enquanto o corpo estava desnudo escolhendo seus panos, o fato de não ter bolsos na pele e que escolher uma música e a roupa são atividades que requerem uma atenção exclusiva esclarecem a expulsão dos fones brancos dos ouvidos. Além do mais, a atividade de ir ao encontro pelado em com o ipod em uma das mãos foi considerada por unanimidade como mundana e desprovida de senso lógico. A guerra tomava veias mais mansas, os carboidratos estavam perdendo seu poderio, a munição acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentidos se uniram para que o carro fosse guiado sem presságios e o encontro foi muito bom. O paladar exigiu dentes escovados e que chicletes fossem estrategicamente comprados antes do encontro com o outro corpo – orçamento aprovado pelo fórum das vontades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-8305011334366760202?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/8305011334366760202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=8305011334366760202' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8305011334366760202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/8305011334366760202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/duelos-sentimentais.html' title='Duelos sentimentais'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-2090357752541929102</id><published>2007-09-09T10:25:00.000-07:00</published><updated>2007-09-09T10:29:59.187-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas teatrais'/><title type='text'>A incrível história do cachorro que tinha dois donos e subitamente morreu de fome.</title><content type='html'>- peça em um ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como você esqueceu de dar comida para ele ?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era o seu dia!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”Toda quinta eu tenho rodízio e chego atrasado. Quando eu cheguei, ele já tinha morrido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E de manhã? Você estava daqui de manhã.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De manhã eu fui comprar comida para ele, porque você me disse que tinha comprado ontem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É. Ontem você falou que a comida estava sem validade. Fui comprar, mas seu cartão não passava.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se ele não passou, foi por sua culpa; encheu a cara com ele na terça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na terça ele só passou metade, já estava bixado antes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Segunda você pagou o condomínio com ele, ai bixou.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu paguei o condomínio com o meu; você que resolveu pagar a gasolina com o seu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu só paguei com o meu, porque o SEU carro tava sem. Você vive saindo e esvazia o tanque.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu só esvazio o tanque porque levei o cachorro no veterinário, é muito longe. Ele não precisava ir toda semana.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele só vai porque você sempre esquece de comprar comida. Aí eu tive que dar a sem validade para ele no almoço.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você veio aqui no almoço?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cartão tava estourado, tive que comer aqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- pano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-2090357752541929102?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/2090357752541929102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=2090357752541929102' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2090357752541929102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2090357752541929102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/incrvel-histria-do-cachorro-que-tinha.html' title='A incrível história do cachorro que tinha dois donos e subitamente morreu de fome.'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-2756060664324672253</id><published>2007-09-05T18:53:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T20:23:31.274-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Decepções cotidianas'/><title type='text'>Falsos sentimentos</title><content type='html'>Sobre uma certa (in)gratidão por estudar a mecânica do mundo mercadológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei minha vida acadêmica pelo lado errado da ESPM, fui Adm e agora quero ser redator publicitário, há nisso um certo viés de escolha. Não sou tão radical a ponto de ter ido para a FFLCH ou cinema, como muitos o fizeram, escolhi (me restou) como abrigo “para alcançar o meu sonho profissional” o mesmo lugar que antes eu repudiara por ter feito a escolha errada na época certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado a Administração e seus números me espantaram, por outro o estudo mercadológico não só me persegue, mas parece ser ainda pior na formação dos publicitários da escola superior. Convenhamos que estudei muito mais publicidade que adm, mas mesmo assim não posso deixar de constatar: o marketing é muito mais martelado nas nossas cabeças de comunicadores por ser quase o único escopo da faculdade de comunicação social para o mundo businees.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em administração, o foco é em marketing (digo isso dentro da ESPM), mas há diversos outros ramos que são bastante visitados e muitos saem dessa faculdade para vários lugares e áreas do humanitas - agências de propaganda inclusive. Esse relato leva a máxima que todos nós costumamos ouvir de parentes mais velhos e conservadores: a faculdade que todos deveriam fazer um dia. Assim como direito, medicina e engenharia - a velha trinca tradicional -, administração é quase tão polivalente como estas e a bolha do mundo business é a coisa que mais (cresce) chama atenção - esta é a minha versão de que ouvimos e vemos diariamente dentro da primeira escola de propaganda do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobra dentro do manto da comunicação social para com o mundo empresarial é estudar mercadologia; uma escolha plausível de acordo com o interesse de cada um. O pior é que a  matéria e seus fundamentos são constantemente impostos como verdade absoluta para todo o resto da grade. O marketing não deve ser menosprezado, nem pretendo dizer que 'o sonho acabou' para os que acreditaram na livre criação de idéias ou na simples possibilidade de tirar o seu próprio sustento de outra área que não seja aquela doutrinada por Kottler. Prezo pela formação de conceito e liberdade de escolha de grade - coisas que incrivelmente não ocorrem num lugar que nasceu atrelado a vanguarda do pensamento paulista, o MASP de Pietro Bardi. Não acredito no fato de termos uma educação tão fundamentada na venda como arte do marketing e da propaganda como um artifício funcional, quase gratuito, mecânico e hermético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me choca é o fato de que o marketing é esticado ao limite e possui táticas por ora geniais, apesar de ferinas e até contestadoras na ética. O objetivo das empresas (isso não é uma crítica ao capitalismo e suas conseqüências) é ampliado em função de aparatos que forçam o papel do criativo ao de cúmplice no abuso com o público em questão. Atualmente, a idéia de capturar o consumidor onde quer que ele possa estar começa a me dar medo, a luta pela atenção chega a parecer maior que a luta por estabelecimento de mensagem e marca, o que em teoria, os criativos devem fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sim, campanhas e empresas que acreditam numa comunicação não somente integrada, mas harmônica com seus consumidores. Digo harmônica no sentido de, mesmo retórica e repleta de convites, permite que o consumidor não seja taxado de trouxa ou não seja obrigado a ouvir, de sopetão, centenas de palavras de ofertas em 30 segundos, pior, com imagens chocantes que mais me lembram um videoclipe que um comercial – no caso, um videoclipe de puro mal gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito no diálogo do mercado com a massa populacional, não em eufemismos baratos para o estabelecimento de caráter “exclusivo” de uma marca com o seu público, vivemos em uma época industrial por princípio. Ouso dizer que Wahrol já fazia esse tipo de ironia quando imprima e pintava diversas latas de sopa, é a arte dialogando com o consumo em massa (não vou entrar nesse assunto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, temo que o marketing faça da propaganda uma coisa até prazerosa, mas incrivelmente maniqueísta e sem formação de conteúdo cultural para a sociedade. Os comerciais do período 1980-90 são considerados os mais brilhantes da publicidade brasileira e não é a toa, carregavam cultura popular e não berravam pela atenção do telespectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, hoje temos internet e o público é dispersivo, mas outras soluções são pensadas e pouco implementadas por falta de ousadia e desinteresse. Muitas vezes, em sala de aula, não sei se agradeço ou condeno de vez o fato de que eu saiba como o marketing funciona e quão banal e ofuscado ele pode ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-2756060664324672253?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/2756060664324672253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=2756060664324672253' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2756060664324672253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/2756060664324672253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/falsos-sentimentos.html' title='Falsos sentimentos'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-3394720011620828696</id><published>2007-09-05T08:10:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T08:13:41.911-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='documentos históricos'/><title type='text'>Epopéia familiar</title><content type='html'>Abaixo a epopéia, para quem tem pelo menos 15 min para se apaixonar por esta saga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou filho de Alberto Magno Lazarte Davini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estranhem, ele descende do ilustre Carlos Magno, o grande soberano das terras médias na idade das trevas. Há uma lenda no sul da Galícia, que Carlos era um varão, desde os 13 anos deixava uma filha em cada cidade que passava. Não demorou muito para se tornar imperador e consequentemente o primeiro ditador nepotista do Mundo, todas suas filhas cresceram sem pai e casaram logo e, assim, Carlos Magno teve que ceder parte das terras e do poder conquistado para cada um de seus genros. Isso durou até Carlos atingir os 30 anos quando sua face sombria tomou as rédeas de sua consciência e ele mandou matar todos os genros, bem, quase todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único loquaz sobrevivente foi o catalão Alfredo Malazarte, avô de Pedro Malazarte - conhecido da literatura infanto-juvenil pelas suas peripécias e incrível poder de fuga. Pedro também herdou as peripécias procriadoras de seu avô merovíngio e proliferou como a peste negra pela Europa, sempre vivaz, sempre malaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a chegada do governo franquista, os Malazarte já estavam tão dispersos pelo mundo como os judeus, as baratas e as barraquetas de hot dog, foi aí que dona Dolores, minha tetra avó analfabeta e gaga nomeou apenas Lazarte ao escrivão do cartório. Seu filho, o pequeno Abelardo, seria um combatente tenaz da ditadura espanhola, amigo de Picasso, Amigo de Fredereich, amigo de muita gente, por isso fugiu às 6h da manhã de um domingo para a Argentina, a terra platina que tanto prometia aos perseguidos pelo impetuoso ditador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá chegando cambiou seu nome para Luis e casou-se com Alice, a primeira mulher que lhe ofereceu um prato de comida sem chorizzo e alfajor de sobremesa. Cansados de ouvirem tango, o promissor casal resolveu fugir para o Brasil após uma carta-cojnvite de Friedereich e Havelanche, uma dupla assaz boleira - esporte que ainda engatinhava na Terra de Santa Cruz. Chegando as nossas terras fundaram o Esporte Clube Bosque Paulista, no bairro do Bom Retiro, que virou Clube dos Navegantes da Vila Zatti, e mais adiante Associação Esportiva Gondoleiros do Brás e desaguou no extinto Pequeninos do Taboão da Serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastou o insucesso nos negócios e o primeiro filho do casal, Davino, morreu de um ataque fulminante assuntando a família, pois acontecera no mesmo mês da derrocada financeira do clã, da desilusão brasileira frente a final da copa contra o Uruguai, uma noite após Luiz Lazarte (o patriarca) quebrar três dedos do pé esquerdo topando na cama, ao sair do chuveiro. Para sair da zica, batizaram o próximo filho de Alberto Magno Lazarte Davini, em homenagem ao herdeiro póstumo. Esse é o lado paterno da minha epopéia familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você ainda está acompanhando essa novela - que poderia ser também a versão brasileira d'Os Lusíadas - não pode deixar de acompanhar os momentos finais da minha história: o Lado Santoliquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prejudicados pela fome e pelo frio que dominava Roma, os Santoliquidi não iam ao coliseu comer pão, pois tinham medo de lugares com multidões. A história relata que um tal de Manolus Santolquidi como o fundador da estirpe que não comia queijo, não usava as famosas sandálias Sicilianas e nem gostava de gladiadores. Desertores, segundo classificação de Pompéu (sec. IV A.C.), os Santoliquidi foram a Constantinopla vender uvas passa para os turcos ligadões no kebab. O negocio fracassou em duas semanas e Manolus passou a viver de cozinheiro em uma cantina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a divisão em bizantinos e romanos, Manolus II, o pizzaiolo da mesma cantina onde seu pai fez história ao servir uma pizza de aliche sem queijo e com azeitonas pretas (uma heresia na época), foi convocado para unir-se a Gengis Kahn no domínio de Sparta (a terra dos 300). Aceito o convite, Manolus II torceu o joelho ao se deparar com Gerald Buttler e foi poupado por fazer uma bruschetta que deu o que falar ali naquela ilha varonil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora na Grécia, os Santolquidi conheceram uma figura importantíssima para a formação do ente familiar que agora escreve estas linhas - no caso eu; no caso da persona, Helena, a musa de Manoel Carlos, o meu muso - daí a elipse. A partir do dia em que Manolus VIII conheceu Helena em uma Balada em Creta, ele se refugiou na escrita romântica e mudou-se para a região da Bratskvia, atual Finlândia, então sob domínio dos esquimós e yets. Sofrerá muito pelo fato de Helena ter sido raptada, seu amor fora apenas platônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Finlândia, minha parte errante da família perdurou até a invasão austro-húngaro, em medos do século XIX, quando Bismarck resolveu aniquilar todos os afáveis finlandeses por que eles não sabiam fazer sorvete de pistaches, seu pecado era a gula e o agente os pistaches. Desta forma Manolus XXX voltou para a Itália, para a região da Calábria por ouvir falar que lá as pessoas eram felizes e alegres, todos tinham direito a 10 m de extensão de praia e mais 2 acres de terras férteis e esposas fartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí para a fábrica de sapatos mocassin foi um pulo. As gerações de Manolus foram extintas quando o 34º filho não procriou nenhum homem, pois se casara com uma italiana do norte, a eterna praga dos sulistas, uma zica. Assim sugiram os nomes galantes como Giuseppe e Berdizzo, irmãos que morreram juntos em um rodeio, em 1900, e serviram de inspiração para os folhetins brasileiros. Com a guerra, Vicente Santoliquidi, serviu a Mussolini após ter sido recusado por Hitler, Churchill e Zskivarentrons (ditador da Finlândia recém independente do império Austro-Húngaro, após a queda de Bismarck). Vicente tinha uma mão menor do que a outra; todos nós (santoliquidis) também a temos - herança da fábrica de sapatos mocassins. Na época, ter uma mão menor do que a outra impossibilitava o manuseio de fuzis cabendo ao jovem Vicente cuidar do telefone de front. Após receber um trote, foi baleado na cabeça e por pouco não morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô foi removido dos campos de batalha e mandado para Buenos Aires. No caminho, o navio fez uma pausa no porto de Santos para abastecer e Vicente, muito apertado, não prestou atenção nas informações do comandante que estabelecia 12 horas de parada. Vicente nunca mais voltaria ao navio e se estabeleceu em São Paulo por ouvir falar que ainda havia ouro depois da serra. Conheceu Chateubriant, pois era seu engraxate e apaixounou-se pela sua confeiteira, Carmelita. Da paixão ao casamento foram apenas 2 dias e entre seus filhos estava Silvana Santoliquido, minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-3394720011620828696?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/3394720011620828696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=3394720011620828696' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3394720011620828696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/3394720011620828696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/epopia-familiar.html' title='Epopéia familiar'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2942265986208730656.post-5167787273564945064</id><published>2007-09-03T20:08:00.000-07:00</published><updated>2007-09-09T10:31:41.018-07:00</updated><title type='text'>Entra o Santo Líquido</title><content type='html'>O blog começou e as postagens irão crescer a mesma razão das pombas lá da praça no verão ou dos ratos aqui do bueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santo Líquido é parente próximo de outros materiais sacros, como o Santo Graal, a Santa Ceia, o Santa Aldeia e o São Cristóvão - time da segundona do campeonato carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado a todos e boa viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2942265986208730656-5167787273564945064?l=osantoliquido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osantoliquido.blogspot.com/feeds/5167787273564945064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2942265986208730656&amp;postID=5167787273564945064' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5167787273564945064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2942265986208730656/posts/default/5167787273564945064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osantoliquido.blogspot.com/2007/09/entra-o-santo-lquido.html' title='Entra o Santo Líquido'/><author><name>renato santoliquido</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09779501160057198115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_91MhM8BX_is/R72ydTSFcQI/AAAAAAAAADU/6fr-BrfGF_c/S220/levando+porrada.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
